Pular para o conteúdo principal

Kitânico Blog 3, o Desafio Final.




Nessa minha última ida ao festival de Takeshi Kitano na Caixa cultural eu revi "Zatoichi" de 2003. Adoro esse filme, tenho o DVD e sou fã do personagem.
 Zatoichi é um dos personagens de ficção mais conhecidos na literatura do Japão e TV. O personagem foi criado pelo escritor Kan Shimozawa e depois foi adaptado para a TV pelo Daiei Studios e originalmente interpretado por Shintaro Katsu.
 Zatoichi aparece como um anma san (massagista) cego que vagueia ganhando a vida realizando suas massagens, acupuntura e jogando dados. No entento, ele é um excelente espadachim do estilo Muraku-Ryu de kenjutsu e iai e também mostra habilidades em Sumo, taijutsu e kyujutsu.
 Ele não carrega uma katana comum, e sim uma shikomizue (espada disfarçada de bengala). Ou seja, ele passa a imagem de um massagista cego completamente indefeso. Isso, pra mim, é genial.
Então, Kitano sempre foi um fã de Chanbara (o nome original dos filmes de samurai) e nada melhor que esse personagem icônico pra fazer uma homenagem. A história é ambientada no período Edo, onde Zatoichi tropeça em uma pequena cidade remota. Dois grupos de yakuza estão lutando pelo poder, abusando de aldeões comuns no processo (lembrando o "Yojimbo" de Kurosawa). Lá ele encontra duas gueixas conspirando vingança contra um desses grupos que matou sua família; um atrapalhado mas bondoso jogador  de dados e sua tia hospitaleira além de um habilidoso ronin tentando salvar sua esposa doente e ao mesmo tempo se provar como samurai. Com um forte senso de justiça e extrema habilidade,  Zatoichi ajuda os aldeões para livrar a cidade de gangsters.
O "Zatoichi" de Kitano não é como um chanbara de Kurosawa. Até mesmo porque não haveria como comparar. Na verdade ele é mais satírico, sarcástico e todo o filme leva o toque de humor de Kitano. O próprio personagem não se parece com o original. Ele é loiro, usa uma bengala vermelha e se veste razoavelmente bem. O original tinha uma estética extremamente simples, e parecia um mendigo cego em vários momentos.
As coreografias estão LINDAS. Uma cena onde o ronin precisa eliminar um chefe Yakuza está SOBERBA. E o Zatoichi (interpretado por Beat Takeshi :p )emprega uma ferocidade e habilidade excepcionais nos golpes.Isso sem falar no sangue jorrando. Era CGI, embora Kitano não curta usar efeitos digitais mas nesse caso ele abriu mão por 2 motivos. O primeiro, para não ficar gore demais. Ele queria sim, sangue, mas sem aquela coisa dele se espalhar pelo chão, sangue escorrendo loucamente e afins. Segundo, ele com seu toque poético quis que o sangue jorrando parecesse com pétalas de sakura ao vento. E conseguiu.
Se tem um remake que recomendo, é esse.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Filosófico Blog

"Homens civilizados são mais descorteses do que os selvagens porque sabem que podem ser indelicados sem ter seus crânios rachados, como regra geral." - Conan, o Cimério É, faz sentido.

Cupuaçúlico blog

 Eu me considero um cara equilibrado. Frio, até,  para várias coisas.  Não sou de me emocionar quase, e considero isso um defeito.  Mas, cá estou com lágrimas nos olhos. E por causa de um sorvete.  Não,  não é ruim.  Longe disso.  Estou num curso em Recife e, num intervalo, vim tomar um sorvete em frente à igreja da Boa Viagem. Me devo com sorvete de tapioca, coco verde,  queijo do reino,  tamarindo e cupuaçu.  Todos deliciosos. Mas o de cupuacu me pegou. Lá no Rio o cupuaçu costuma ser adoçado. O sorvete mesmo costuma ser o de creme de cupuaçu.  Esse não.  Esse é da fruta. Perfeito.  Esse sabor azedo e agridoce me levou aos anos 80 e 90, diretamente pra Manaus. Me levou pra Glacial da Presidente Getúlio Vargas e, principalmente pra um certo quintal na 24 de Maio, com tios e primos,  muitos que infelizmente já se foram.  Um sorvete. Décadas de memórias.

Marcial de Contato Blog

No final dos anos 90 eu estava cursando japonês aos sábados, e no caminho do metrô pra casa, havia uma academia de Kung Fu.  Resolvi ver os horários e tinha uma aula no sábado à tarde que se encaixava com os horários do curso. Fui fazer uma aula experimental.  Conversei com o professor, expliquei que era faixa marrom de karate e que queria treinar algo aos diferente. Ele explicou que o sistema se chamava Dragão do Poço (que eu nunca tinha ouvido falar mas, ei, eram os anos 90, muitos sistemas não eram tão conhecidos e internet ainda engatinhava. Na época tínhamos mais acessos aos sistemas por revistas, conhecidos...Ou uma livreira lendária indicando livros na finada Da Vinci). Estranhei o nome, mas lá fui eu.  Na aula experimental o professor me colocou pra fazer combate com os alunos e eu,  que sempre fui no máximo mediano, estava ganhando todos. Ele ficou puto e botou um cara lá que, segundo ele, era campeão de sei lá o que. Eu já tinha desistido de treinar lá só p...