Pular para o conteúdo principal

Postagens

Jesuíta blog

A Companhia de Jesus chegou ao Brasil em 1549. Basicamente o monopólio do ensino era deles, com seus colégios, casas de alfabetização e afins. Os colégios da Companhia de Jesus tinham uma função que ia além do próprio ensino: O dia a dia neles formatava consciências e modelava indivíduos que acabavam por servir de agentes da ordem e da cultura europeia e cristã. Todo e qualquer comportamento desviante da moral cristão deveria ser identificado e corrigido para a purificação da sociedade. Caso fosse necessário, castigos e punições eram aplicados àqueles que insistissem em contrariar as regras do bom comportamento.
Agora troque pelos dias de hoje. Pegue esses colégios lacrativos com alunxs. Pegue os linchamentos morais feitos por quem ousa desviar do chamado "progressismo".Pegue colégio com escritório de partido bonitinho.
E entenda como achar melhor.

Postagens recentes

Memento mori.

Ontem, após o almoço, fui ao banco pagar umas contas. Ao virar a esquina, umas faixas amarelas limitavam a passagem e um reflexo prateado não deixavam dúvida: um cadáver coberto por um cobertor térmico, em frente ao banco.
Ao entrar no banco, perguntei à recepcionista se havia sido assalto. Não foi. A pessoa simplesmente caiu morta. Puxaram o cabo do outro lado da Matrix.
Eu cresci acostumado a ver cadáveres na Vigário Geral dos anos 80 e 90. E sempre muito sangue e vísceras. Mas essa morte em si me bateu mais fundo. Não foi um ato de violência, já banalizada. A vida simplesmente cessou numa quinta-feira chuvosa numa esquina movimentada do centro do Rio.

Por uma estranha coincidência, o sistema do banco caiu também naquele momento. Então voltei ao trabalho.

Mais tarde, voltei ao banco. O sentimento sobre a morte do desconhecido bateu mais pesado ainda. Antes haviam dois agentes do Centro Presente e mais uma ambulância do SAMU. Algumas horas depois ainda estavam lá as fitas amarelas …

Ilusório blog

A Síndrome de "Botinho".

 Existe no litoral carioca, desde os anos 60, um projeto do Corpo de Bombeiros chamado "Projeto Botinho". O projeto visa estimular a prevenção de acidentes marítimos por meio de brincadeiras.
Semana passada um estagiário ( o elo entre humanos e cafeteiras) me contou que ele já fez parte de tal projeto, e como isso gerou nele uma falsa sensação de segurança. Ele narrou que fez parte do projeto por 3 meses, aos 11 anos de idade, e aos 15 foi brincar numa piscina de ondas na Baixada.Foi alertado para não ir para a parte funda pois era muito forte, mas estufou o peito e disse "Coé, eu fui botinho!".

Quase se afogou.

Isso me fez lembrar do Efeito Dunning-Kruger, onde a pessoa possui um conhecimento pequeno, mas acredita saber mais que especialistas.

Eu passei por isso uma vez. Treinava Aikido havia um tempo, e fui fazer umas aulas de Luta Livre. Na hora do sparring, o professor perguntou "Sabe alguma coisa sobre aplicar e defender…

Suicida blog

Quero morrer.

Não literalmente. Essa eu aguardo sem muita pressa, mas já sabendo que é inevitável.

É mais uma espécie de "morte figurada", por assim dizer. Aos poucos eu venho matando o Alexandre que foi construído ao longo dos anos e que meio que estacionou. Esse Alexandre já não tem mais muito espaço, esse Alexandre só faz merda e só se afunda.

Esse Alexandre trocou sonhos por segurança. Não que segurança seja ruim, pelo contrário, mas esse Alexandre se acomodou. Muito. Esse Alexandre virou uma pífia sombra daquele Alexandre cheio de sonhos, esperanças e "sangue nos olhos". Sei que aquele Alexandre não volta, ou pode voltar cheio de cicatrizes, mas ESSE Alexandre de hoje em dia precisa morrer.

Coisificado blog

Sabe como é ter realização profissional? Eu não.
Há um certo tempo venho notando que deixei de ser uma pessoa, o Alexandre Santana, e virei o "rapaz do ponto". Sim, eu cuido da frequência no porto do Rio, em especial da Guarda Portuária. É um trabalho. É digno. É honesto. Mas deixei de ser uma pessoa e me tornei um relógio de ponto. Fui coisificado.
Sim. Na maioria dos dias eu mal chego (07:00) e não ouço bom dia e sim um "Ei, o relógio está com defeito!" ou um "Oi, estou com um probleminha aqui no ponto..." e o pior de todos "Olha, vocês me deram falta aqui (sim, eu fui na frequência de um fdp aleatório e taquei falta, claro...)". 
Eu imagino que na maioria dos empregos realmente seja assim e que eu esteja reclamando de barriga cheia. Pode ser. O problema é que não estou lidando com clientes, e sim com pessoas que trabalham na mesma empresa que eu. Com a grande diferença que estou EFETIVAMENTE trabalhando, diferente da grande maioria.
Foda-se, …

Nutellamente barbeado blog

Aconteceu.

Fui em uma dessas barbearias nutella.

Sim, eu gastei 70 reais pra fazer cabelo e barba.

Em minha defesa, eu fui para conhecer mesmo, e ia em um casamento. Não ousei, apenas passei máquina 1 no cabelo e aparei a barba, mais nada.

Antes de passar minhas impressões, vou explicar os termos utilizados. São eles:

Barbearia raiz - É aquela barbearia antiga, com os velhinhos de jaleco branco.

Barbearia nutella - São essas "gourmet", que querem passar uma imagem vintage, vendem inúmeros produtos pra barba e geralmente servem chope artesanal.

Barbearia express - São aquelas que o cara compra uma máquina e cobra 5 reais pra passar.

Barbearia roots - Sim, sei que que root é raiz, mas foda-se. Geralmente é da galera hip hop, black music em geral. Barbas e cabelos estilosos, ousando nos desenhos cuja estética varia pra quem olha.

Então, dadas as explicações, vamos às impressões.

Os barbeiros :
-  Na barbearia raiz geralmente são idosos, mas não é regra. Costumam usar jalecos e …

Antifutebolístico blog

"O futebol deve ser o esporte mais invejoso que existe. Eu lembro que nas chaves de campeonatos de luta, quando você perde pra um cara, você torce para que ele venha a ser campeão, porque ao menos você pode dizer "perdi pro cara que foi campeão", ou seja, você perdeu pro melhor cara da chave. Em futebol é o contrário, o que vale é o rancor." 
- Gustavo Lima
Não é segredo pra ninguém que desprezo o futebol. O esporte em si acho chato e ver jogadores fingindo lesão me soa escroto ao extremo. Só que a maior parte do meu desprezo vem justamente dos torcedores.  Tudo começou nos anos 80, quando eu era um mero moleque catarrento. Um tio e um primo, vascaínos (e definitivamente meu desprezo pelo Vasco é maior do que pelos outros times) agiam como completos imbecis quando o timeco ganhava. Mas desapareciam quando perdia. Isso me parecia tão retardado que surgiu em mim um sentimento de "não quero ser assim", e fui desenvolvendo um completo asco por esse esporte e …