sábado, setembro 24, 2011

Nostálgico Blog

24 de Setembro de 1991. O Nirvana, lançava o álbum "Nevermind", aquele do bebê nadando atrás de uma nota de dólar. Movido por uma certa nostalgia, vou na minha empoeirada coleção de CDs e o coloco no cd player. Nossa!, Viagem no tempo! Ouvi faixa por faixa, me empolgando cada vez mais, peguei alguns outros (tenho uns 20 mais ou menos do Nirvana, entre CDs oficiais e uns mais “alternativos”) e ouvi todos (claro que nem todas as músicas).

Fiquei lembrando de quando conheci o Nirvana. Foi em 90, uma época que eu tava me definindo musicalmente. Eu comecei ouvindo o saudoso Michael Jackson. Lembro que ouvia também Guns and Roses, mas não ligava muito para aquelas voz esganiçada do Axl, e um outro metal. Pois bem, um dia, ouvindo a Fluminense FM (a extinta Maldita, que ensaiou um retorno, mas se tornou rádio pop e hoje em dia é a rádio do Luciano Huck e do Miguel Falabella) e ouvi uma musica legal, "Love Buzz" era o nome da música, e o nome da banda era NIRVANA.

"Legal..." eu pensei, nome maneiro, mas aqueles acordes não saíam da minha cabeça. Fui procurando mais coisas sobre Nirvana, mas não encontrava. A única coisa que eu sabia sobre Nirvana é que era uma palavra que quer dizer mais ou menos “Iluminação”, ou “ extinção do sofrimento”. Pois bem, em 91 estava eu ouvindo a extinta Rádio Cidade, e começa uma música com uns acordes de baixo e logo após começa uma pancada sonora... caracas, vidrei naquela música. O nome dela? “Smells like teen spirit”. O nome da banda? NIRVANA. Não preciso dizer mais nada, Nirvana salvou minha alma do funk, pagode, axé, sertanejo e porcarias similares.

Daí foi muita coisa que aconteceu: fui no show do Nirvana, decorei todas as letras, usava camisetas do Nirvana, enfim, típico pirralhinho roqueiro. Mas com a diferença que naquela época nós pirralhos roqueiros agíamos como pirralhos roqueiros. Fico vendo hoje em dia coisas que eu acho muito estranhas. Pirralhos com camiseta do Nirvana em shoppings centers pulando naqueles fliperamas que vc tem que dançar em cima. Não digo isso só com camisetas do Nirvana, com qualquer uma camiseta de banda de rock. Antigamente tratávamos as camisetas como Mantos sagrados. E não estou exagerando.

Hoje você vê esses pirralhos com tênis de 400 reais, calças de outros 400 e camisetas de banda compradas em lojas da moda!

Diferente de hoje em dia, ouvir Nirvana era meio que uma forma de protesto. Ou de libertação. Pra quem não se lembra, o pessoal já tava meio cansado do marasmo do fim dos anos 80. Hoje em dia existem inúmeros festivais dos anos 80, mas a verdade é que quem viveu os anos 80 já estava de saco cheio deles. Só que no início dos anos 90, começa a surgir um movimento em Seattle chamado grunge, e meio que como carro abre-alas vinha o Nirvana, numa posição não aceita por eles, diga-se de passagem. O grunge se caracterizou por não ter aquele maldito virtuosismo dos anos 80, por ter letras que condiziam com a realidade dos fãs e, a sua melhor característica na minha opinião, pelo fato dos músicos se vestirem que nem gente, e não com couro, lurex e lycra. Não que o couro, lurex e lycra não tenham sua importância no rock, tem sim. Mas já estávamos de saco cheio disso. O grunge meio que deu um pouco de ar pro rock respirar, e que acabou fazendo com que ele voltasse com força total, seja qual for sua vertente. E por isso Nirvana é considerado uma das mais importantes bandas que já existiram. O visual lenhador não era pra lançar moda, e sim era a roupa que eles usavam no dia a dia, só isso. Uma coisa que me dá pena dos garotos de hoje em dia é o fato deles não poderem ter a exata noção do que foi o Nirvana. Eu sei como é isso, afinal eu curto Beatles, Elvis, Raul Seixas, Rolling Stones e Janis Joplin. Eu não vivi a Beatlemania, não vi Raulzito num palco. Apenas os conheci quando eles já eram lenda, e já conhecia a fama deles antes de conhecê-los. O mesmo acontece com estes garotos que, sendo fãs de Nirvana, não terão a chance de ver a banda fazendo sucesso, de aguardar o lançamento de um novo disco, de juntar uma grana pra ir no show dos caras e, num dia de abril de 94 ao assistir o Jornal Nacional receber a notícia de que seu ídolo deu um tiro na cabeça e se juntou às lendas do rock em algum grande show eterno.


Como diria Neil Young em "Hey, Hey, My my", e Cobain escreveu em sua carta de despedida:

It's better to burn out than to fade away

quarta-feira, setembro 21, 2011

Lendário blog

Há muito tempo atrás, longe pra caralho, vivia um pirralho que não estava completamente satisfeito consigo mesmo.
Era o começo do século 5 , e a terra foi o que hoje chamaríamos do sul da Índia , em Chennai . No entanto, naquela época a área era conhecida como Madras.

E o moleque da história não era um menino normal. Não mesmo.
Ele era um príncipe da família Chadili.

Um membro da classe Khsatriya , de guerreiros, o que significa que ele recebeu uma educação melhor do que a maioria outros catarrentos na sua idade. Dizer que ele tinha alguns privilégios seria quase um eufemismo. Ele foi educado tanto nas artes literárias como nas artes de combate, e a lenda diz que o menino gostava particularmente de praticar porradaria com a galera, e ele se tornou muito bom nisso depois de um certo tempo.

No entanto, embora tudo parecesse perfeito no mundo do pirralho, ser um príncipe da família Chadili significava que você não podia realmente fazer o que você queria. Com um título como esse você tinha que fazer algumas coisas que os rapazes não curtem fazer. Deveres, obrigações, tradições ...
Esta não foi a nossa vida menino queria viver.

Na verdade, ele era muito mal-humorado.

Aí ele começou a trabalhar em um plano. Um plano de como ele poderia escapar deste estilo de vida chato pra um mais emocionante. E depois de pensar nisso por um longo tempo, ele finalmente decidiu mudar de vida.
Como?

O plano era muito simples - ele decidiu mudar seu robe de leigo branca para o vestido preto de um monge. Soa bem idiota, né?

Abandonou a riqueza de sua família e bens e simplesmente desceu ao cais e foi a bordo de um navio que o levaria pra bem longe.
A viagem foi difícil, mas depois de muito tempo o navio finalmente chegou na  província chinesa de Ghangzhou.

Rapidinho o menino, que era agora um homem, ficou conhecido. Sua personalidade enigmática e conhecimento incrível fez com que as pessoas ao seu redor se perguntassem quem este monge estrangeiro realmente era. Mas ele não queria saber disso. Para ele, a sua vida passada não lhe dizia mais respeito. O que foi interessante foi ele conseguir mais pessoas que percebessem que eles também poderiam seguir o seu caminho de rejeitar o desnecessário. Em todos os lugares que ele olhava, ele viu pessoas que eram como ele tinha sido, e que acabavam se tornando no que ele se tornara.

Na verdade, o monginho tornou-se tão famoso que foi um dia convidado para a corte do Imperador Wu, fundador da dinastia Liang, no sul. Normalmente, esta teria sido uma grande honra para muitas pessoas, mas para o nosso monge não era. Ele já tinha experimentado a vida de uma realeza em sua antiga casa da Índia, e não poderia me importar menos.

O imperador ficou muito interessado nas idéias do monginho e muito ansioso para o encontro em sua corte, na atual Nanjing mas, segundo a lenda, tornou-se uma curta e estranha reunião.

Por quê?

Porque, em sua conferência o monginho apresentou um tipo de comportamento que o imperador simplesmente não estava acostumado. Na verdade ele estava bastante chateado com os modos do monginho.

O imperador perguntou: "Monginho, eu construí uma porrada de templos, publiquei trocentas escrituras e dei moral pra um monte de monges e freiras. Quão grande é o mérito em nessa parada toda que eu fiz? "

O monginho respondeu: "Não tem mérito nenhum, dotô."

Caralho! O imperador tinha ouvido muitas vezes mestres pica grossa falarem "Faça o bem, e você receberá o bem; fazer o mal e você receberá o mal." Mas agora este estrangeiro de merda na frente dele chega e fala que todos os seus esforços não tinham mérito nenhum. Que porra é essa?
A pergunta seguinte foi: "Qual raios é então a essência de tudo?"
E o monginho disse: "Porra nenhuma. É um puta vazio e sem essência!"
O imperador ficou bolado, pois o monginho tinha dito, basicamente, que as escrituras sagradas estavam erradas. Ou seja, pra não matar o monge, ele o baniu de seu reino. Daí o monginho resolveu viajar pro norte.

O cabra cruzou então montanhas, vales, rios, incluindo o Yangtze, e chegou em um lugar que ele achou maneiro: O templo da pequena floresta ou, como seus moradores o chamavam, Shaolin Si (少林寺).


Os outros monges no templo imediatamente o acolheram na família. Este era o lugar onde o monginho ia passar o resto de seus dias, tentando iluminar a galera através do que se tinha tornado sua marca principal: Paradoxos, enigmas e provocação para quebrar a rigidez intelectual.
Ah, ele tinha outra parada também: Chá. Muito chá. Ele fazia os monges beberem chá durante a meditação, pra "aguçar a mente". Estas paradas combinadas fizeram com que ele meio que virasse um popstar da meditação, e começou a ter muitos discípulos.
Ou seja, ele estava satisfeito né? Porra nenhuma! Uma coisa estava incomodando o monginho: Seus discípulos eram fraquinhos e frágeis, tipo um fã de Crepúsculo. Galera mais metida a fodona tirava onda com eles, batiam neles. Não era legal, todo mundo tava rindo dos seus discípulos.
O monginho acreditava na idéia de que a excelência espiritual, intelectual e física são um necessárias para a iluminação, então ele tinha que fazer algo sobre isso.
Como já sabemos, ele tinha praticado porradaria sistematizada da sua terra natal desde a infância. Ele decidiu fortalecer seus companheiros monges e discípulos, ensinando-lhes um conjunto de movimentos, que ele criou a partir da porradaria que ele treinava, um tal de "varmakkalai ".
O programa de exercícios desenvolvidos por nosso monge favorito foi um sucesso.Seus amigos monges e discípulos mudaram.
Estes exercícios seriam chamados "As 18 Mãos de Buda" (Shi Pa Lou Han em chinês). Eram exercícios respiratórios, exercícios de alongamento, exercícios de fortalecimento, bem como a porradaria em si. Era uma combinação muito boa.
De fracos para, não fortões exatamente, mas definitivamente sarados.

Mas algo ainda não tava legal. O monginho andou tão ocupado nestes últimos anos que ele tinha esquecido de si mesmo! Ele tinha ajudado uma galera em suas jornadas espirituais, mas e ele mesmo? Chegou até a ter uma doença que chamamos de Mal de Graves, que te deixa com os olhos esbugalhados. Sua barba estava gigantesca e desgrenhada.
Ele decidiu que algo drástico tinha que ser feito.
Assim, ele deixou o templo Shaolin e rumou para Monte Song , não muito distante, onde ele sabia que tinha uma caverna. Aquela caverna se tornaria sua nova casa, onde ele ficaria um bom tempo sem fazer porra nenhuma além de meditar. Claro, comia, cagava, dormia... mas passava todo o restante do tempo meditando de cara pra parede. 9 anos fazendo essa porra.
Só isso, mais nada. Sentava de frente pra parede e meditava.Junte a isso o chá e os exercícios e o homem não precisava de mais nada. Segundo algumas versões ele morreu na caverna, mas outras versões, como bem explicou o Monge Getúlio, ele foi envenenado por aqueles que não curtiam seus ensinamentos e estavam perdendo discípulos.

Seu nome era Bodhidharma. Também conhecido como Daruma em japonês. Ou Ta Mo em chinês.

FIM.


Então, como você provavelmente já percebeu, esta história era sobre a vida de Bodhidharma, fundador do Zen Budismo.
Normalmente eu não gostaria de escrever sobre religião mas ainda assim eu escrevi sobre o menino que cresceu para espalhar Zen Budismo.
Por quê?
É muito simples.
Os exercícios que ele ensinou no templo Shaolin eram, segundo alguns pesquisadores, a base do Shaolin kung fu, que poderia ter existido ou não. Quem nunca ouviu falar do templo Shaolin? E a possível ligação com o Karate é óbvia demais até mesmo para explicar (Shorin é a pronúncia japonesa de Shaolin).
Em tese, não fosse por ele, talvez não houvesse qualquer Judo ou Jujutsu. Vai saber, lendas são drásticas também! Muitas delas falam de Chingempin, que foi pro da China pro Japão após a queda da dinastia Ming, onde ensinou porradaria juntamente com o Zen Budismo.
E ele não foi o único. Muitos outros monges iam para o Japão depois, espalhando a mensagem de Bodhidharma, influenciando fortemente Budo japonês. A classe samurai até fez do Zen seu modo de vida.
Bodhidharma e seus ensinamentos Zen tiveram um grande impacto em vários artistas marciais, que variam de Musashi a Jigoro Kano. Eu duvido seriamente que você pode citar um influente Budoka do Japão, China, Coréia e afins que não foi afetado pelos ensinamentos de Bodhidharma, de uma forma ou de outra.
Mas devo avisá-lo: Antes de sair falando sobre Bodhidharma e sua história de vida à sua esposa, marido, namorada, namorado, cachorro, crianças, colega de trabalho, cabeleireiro ou peguete, por favor, seja crítico para com o que escrevi. O problema é que algumas pessoas concordam com uma versão, algumas com outro. Por exemplo, há fortes evidências de que Daruma era originalmente de Irã. Alguns especialistas chegam a dizer Pérsia. Enquanto outros historiadores dizem que ele nunca existiu. Eu mesmo não levo muita fé na existência dele, mas adoro a lenda.