sábado, dezembro 25, 2010

Natalino Blog

Então é Nataaaaaaalllllll...e eu estou aqui, à base de sal de frutas, arrotando tudo que comi ontem e hoje. Nada como manter as tradições natalinas! É, Natal é época de reunir a família, falar mal de quem não compareceu e colocar as fofocas em dia, e esse ano eu fui o centro das fofocas por conta de certas mudanças que ocorreram. Mas vejam bem, fofocas boas, não é falando mal ou nada assim não, é só colocando os papos em dia mesmo. Enfim, tô meio sem inspiração pra escrever, e ficar arrotando não ajuda em muita coisa. Mas tenho aqui uma dúvida que me persegue desde que era pirralhinho...

Por que "sabemos" o dia que Jesus nasceu mas não sabemos o dia que ele morreu? Assim.. é mais lógico ter a data "exata" do dia que nasceu o filho de um carpinteiro pobre do que a dta exata da morte de um líder de seita e agitador político que foi condenado à morte por Roma, e portanto haveira alguma documentação sobre o assunto?

Se alguém souber me explicar, por favor, tenha a bondade.

terça-feira, dezembro 14, 2010

Natalino Blog

Então, é Natal. Época de paz, confraternização, respeito, religiosidade, harmonia, solidariedade e muitas outras palavras bonitas. Resumindo, é epóca de hipocrisia.
Não, eu não sou contra o Natal e não, não sou contra as pessoas serem pacíficas, fraternais, respeitosas, religiosas, harmônicas, solidárias e outros adjetivos bonitos. Mas seria interessante se fossem assim o ano todo.
Mas o meu problema com Natal é outro. Meu problema com o Natal se resume simplesmente à atmosfera natalina. Minha dúvida é: Todo maldito lugar tem que ficar tocando música natalina????
Porra, eu juro que não aguento mais musiquinha de harpa, "Jingle bells" em ritmo de gospel music, Simone cantando música natalina, malditos brinquedinhos chineses tocando a mesma música em todos os camelôs... além da decoração. Juro que não aguento ver mais pinheiros, sininhos e guirlandas. Aliás, pra quem é alto esse problema fica ainda pior, pois toda hora damos uma cabeçada em alguma guirlanda. Aliás, uma dúvida queme persegue desde a infância: Qual a razão de fazermos decoração com pinheiros cheios de neve? Pnheiro não é uma árvore muito comum aqui, neve muito menos. O que dizer então do papai Noel com aquela roupa pesada.
Aliás, falando no papai Noel, imagino a confusão que não dá na cabeça das crianças ver o bom velhinho em tantos lugares ao mesmo tempo. Ontem, ao andar pelas imediações da praça Saens Peña me deparei com o bom velhinho na entrada de uma farmácia, bem debaixo do ar-condicionado, sentado numa cadeira e tirando fotos com crianças. Logo depois, ao entrar numa galeria, lá estava outro bom vehinho, sentado com um ventilador ao seu lado, também tirando fotos com crianças. E a galeria é do lado da farmácia. Ele estava lá fora e agora está aqui??? Como assim, mamãe???

Assim surgem os esquizofrênicos.

ps: Boas festas para todos!!! :p

domingo, outubro 24, 2010

Reflexivo Blog

Andei cá pensando, os emos proliferam nessa geração atual por falta de modelos como Bradock, Banana Joe, Marion Cobretti, Clubber Lang...

Alguém realmente imagina Ivan Drago (Rocky IV) ouvindo Restart?

Alguém algum dia imaginou John Matrix (Comando para matar)chamando alguém de senhorito?

Já conseguiram imaginar Kate Mahoney (Dama de ouro) com uma lágrima pintada no rosto?

Alguém em sã consciência consegue pensar em Tackleberry (Loucademia de polícia) vestindo calça verde limão?



É CLARO QUE NÃO!!!!!!

quarta-feira, setembro 29, 2010

Quem avisa, amigo é.

Estamos vivendo um momento grave de nossa história política em que aparecem dois tumores gêmeos de nossa doença: a união da direita do atraso com a esquerda do atraso.
O Brasil está entregue à manipulação pelo governo das denúncias, provas cabais, evidências solares, tudo diante dos olhos impotentes da opinião pública, tapando a verdade de qualquer jeito para uma espécie de "tomada do poder". Isso; porque não se trata de um nome por outro - a ideia é mudar o Estado por dentro.
Tudo bem: muitos intelectuais têm todo o direito de acreditar nisso. Podem votar em quem quiserem. Democracia é assim.
Mas, e os intelectuais que discordam e estão calados? Muitos que sempre idealizaram o PT e se decepcionaram estão quietinhos com vergonha de falar. Há o medo de serem chamados de reacionários ou caretas.
Há também a inércia dos "latifúndios intelectuais". Muitos acadêmicos se agarram em feudos teóricos e não ousam mudá-los. Uns são benjaminianos, outros hegelianos, mestres que justificam seus salários e status e, por isso, não podem "esquecer um pouco do que escreveram" para agir. Mudar é trair... Também não há coragem de admitirem o óbvio: o socialismo real fracassou. Seria uma heresia, seriam chamados de "revisionistas", como se tocassem na virgindade de Nossa Senhora.
O mito da revolução sagrada é muito grande entre nós, com o voluntarismo e o populismo antidemocrático. E não abrem mão de utopias - o presente é chato, preferem o futuro imaginário. Diante de Lula, o símbolo do "povo que subiu na vida", eles capitulam. Fácil era esculhambar FHC. Mas, como espinafrar um ex-operário? É tabu. Tragicamente, nossos pobres são fracos, doentes, ignorantes e não são a força da natureza, como eles acham. Precisam de ajuda, educação, crescimento para empregos, para além do Bolsa-Família. Quem tem peito de admitir isso? É certo que já houve um manifesto de homens sérios outro dia; mas faltam muitos que sabem (mas não dizem) que reformas políticas e econômicas seriam muito mais progressistas que velhas ideias generalistas, sobre o "todo, a luta de classes, a História". Mas eles não abrem mão dessa elegância ridícula e antiga. Não conseguem substituir um discurso épico por um mais realista. Preferem a paz de suas apostilas encardidas.
Não conseguem pensar em Weber em vez de Marx, em Sérgio Buarque em vez de Florestan Fernandes, em Tocqueville em vez de Gramsci.
A explicação desta afasia e desta fixação num marxismo-leninismo tardio é muito bem analisada em dois livros recentemente publicados: Passado Imperfeito, do Tony Judt (que acaba de morrer), e o livro de Jorge Caldeira História do Brasil com Empreendedores (Editora Companhia da Letras e Mameluco). Ali, vemos como a base de uma ideologia que persiste até hoje vem de ecos do "Front Populaire" da França nos anos 30, pautando as ideias de Caio Prado Jr. e deflagrando o marxismo obrigatório na Europa de 45 até 56. Os dois livros dialogam e mostram como persiste entre nós este sarapatel de teses: leninismo, getulismo desenvolvimentista - e agora, possível "chavismo cordial".
A agenda óbvia para melhorar o Brasil é consenso entre grandes cientistas sociais. Vários "prêmios Nobel" concordam com os pontos essenciais das reformas políticas e econômicas que fariam o Brasil decolar.
Mas, não; se o PT prevalecer com seu programa não-declarado (o aparente engana...), não teremos nada do que a cultura moderna preconiza.
O que vai acontecer com esse populismo-voluntarista-estatizante é previsível, é bê-á-bá em ciência política. O PT, que usou os bons resultados da economia do governo FHC para fingir que governou, ousa dizer que "estabilizou" a economia, quando o PT tudo fez para acabar com o Real, com a Lei de Responsabilidade Fiscal, contra tudo que agora apregoa como atos "seus". Fingem de democratas para apodrecer a democracia por dentro.
Lula topa tudo para eleger seu clone que guardará a cadeira até 2014. Se eleito, as chamadas "forças populares", que ocupam mais de 100 mil postos no Estado aparelhado, vão permanecer nas "boquinhas", através de providências burocráticas de legitimação.
Os sinais estão claros.
As Agências Reguladoras serão assassinadas.
O Banco Central poderá perder a mínima autonomia se dirigentes petistas (que já rosnam) conseguirem anular Antonio Palocci, um dos poucos homens cultos e sensatos do partido.
Qualquer privatização essencial, como a do IRB, por exemplo, ou dos Correios (a gruta da eterna depravação) , será esquecida.
A reforma da Previdência "não é necessária" - já dizem eles -, pois os "neoliberais exageram muito sobre sua crise", não havendo nenhum "rombo" no orçamento.
A Lei de Responsabilidade Fiscal será desmoralizada.
Os gastos públicos aumentarão pois, como afirmam, "as despesas de custeio não diminuirão para não prejudicar o funcionamento da máquina pública".
Portanto, nossa maior doença - o Estado canceroso - será ignorada.
Voltará a obsessão do "Controle" sobre a mídia e a cultura, como já anunciam, nos obrigando a uma profecia autorrealizável.
Leis "chatas" serão ignoradas, como Lula já fez com seus desmandos de cabo eleitoral da Dilma ou com a Lei que proíbe reforma agrária em terras invadidas ilegalmente, "esquecendo-a" de propósito.
Lula sempre se disse "igual" a nós ou ao "povo", mas sempre do alto de uma "superioridade" mágica, como se ele estivesse "fora da política", como se a origem e a ignorância lhe concedessem uma sabedoria maior. Em um debate com Alckmin (lembram?), quando o tucano perguntou a Lula ao vivo de onde vinha o dinheiro dos aloprados, ouviu-se um "ohhhh!...." escandalizado entre eleitores, como se fosse um sacrilégio contra a santidade do operário "puro".
Vou guardar este artigo como um registro em cartório. Não é uma profecia; é o óbvio. Um dia, tirá-lo-ei do bolso e sofrerei a torta vingança de declarar: "Agora não adianta chorar sobre o chopinho derramado!"...


Fonte: O Globo, Artigo de Arnaldo Jabor em 28/09/2010

domingo, agosto 01, 2010

A Era da Bunda-Molice

Texto longo,mas perfeito, do amigo Marcel. Talvez muitos não tenham paciência pra ler, mas definitivamente não são esses pra quem o texto é direcionado. Esses já são gado.





"O maior castigo para aqueles que não se interessam por política, é que serão governados pelos que se interessam." -Arnold Toynbee-
“Tudo que é preciso para o triunfo do mal é que as pessoas de bem nada façam.” (Edmund Burke)

A Era da Bunda-Molice.

Hoje eu acordei com vontade de chutar o balde. Estou de saco cheio desses pseudo-bons cidadãos, pagadores de impostos, defensores da moral, da justiça e da virtude. Você abre um e-mail, uma revista, um site, assiste à televisão e estão lá os hipócritas repetindo as mesmas frases de efeito acima reproduzidas, sem uma contextualização coerente e numa clara manipulação em proveito próprio.

É..., em proveito próprio sim, seja visando uma exposição na mídia, no trabalho, em sua classe ou bairro, seja visando arvorar uma imagem de “paladino da defesa moral do ocidente”, ou de “bom cidadão exemplar indignado com o que os pobres mortais normais parecem que não enxergam”, seja para parecer integro, critico, participativo e inteligente para as meninas ou meninos bonitos da turma e por aí vai.

Engraçado é que eram outras frases feitas como essas que deveriam tomar lugar nesses textos. Desta feita, em favor da probidade pessoal, em contraste com a hipocrisia intrínseca do brasileiro. Frases como “Macaco enrola o rabo, senta em cima e fala mal do rabo do outro”, “quem com ferro fere, com ferro será ferido”, “aqui se faz, aqui se paga”, “vê um cisco no olho do outro, mas não vê uma trave no seu próprio” e outras seriam mais apropriadas para a brasilidade atual.

Sinceramente, me enche o saco ver essa camarilha de bundas-moles sem sal nem açúcar, sem coragem de assumir um posicionamento forte em defesa do que quer que seja, posando de indignados, mas revendo e reescrevendo seu discurso mais de uma dezena de vezes para ser o mais genérico e evasivo possível, pautado dentro das linhas do politicamente correto, sem desagradar ninguém, sem citar ninguém e, pior, sem coragem de abrir o jogo e soltar o descontentamento interno, rumo ao que poderia gerar um debate dialético que, este sim, teria alguma chance de render algum fruto que não estivesse podre desde o nascimento.

Então, cambada das Ong´s, movimentos sociais, entidades de classe, OAB, representantes religiosos, partidos políticos, associações de bairro, clubes de serviço e demais simulacros pseudo-participativos dessa sociedade do “Panis et circensis”, que tal uma opinião realmente critica, indignada, descontente e radical com relação ao que é e que chances tem de vir a ser o Brasil e o brasileiro??

Vamos falar umas poucas linhas, superficialmente mesmo - quem se preocupar, que se aprofunde, conteste, manifeste ou cale-se, indignado – sobre alguns temas afetos a esse arremedo de nação que temos, então!

É, arremedo de nação sim, por que, pra começar nem uma identidade cultural nós temos. Nós, os patriotas de Copa do Mundo, os torcedores do Guga que não entendem patavina das regras do tênis e que, após a primeira derrota, já abandonamos o referencial citado, sem valorizar sequer o esforço do cidadão em questão. Sabem o porquê disso?Por que nós não estamos, nessa “torcida”, valorizado a representação do arquétipo do espírito do brasileiro, da pátria de raquete, ou coisa que o valha.
Nós simplesmente nos projetamos no paradigma em destaque e arreganhamos nossa falta de civilidade e de identidade, nossa super-individualidade, querendo se apoderar das vitórias alheias, sem esforço nem reconhecimento, para tentar melhorar um pouco nossa auto-imagem egoísta e hipócrita e que não temos coragem de assumir. “Sou brasileiro e não desisto nunca”, que piada! É o atleta perder um jogo, uma luta, uma partida e ele “tá acabado”, “não é mais o mesmo”, “nunca foi grande coisa” e tudo mais que o valha.

Ainda dentro desse exemplo do esporte, não podemos nos esquecer de dizer que o atleta é uma pessoa que, por definição, teria que seguir um padrão de vida regrado por disciplina, dedicação, esforço próprio, superação e amor ao esporte. Só esses valores, mesmo inconscientes, fariam maravilhas no individuo, mas não é nunca o que “brasileiro que não desiste nunca” observa e valoriza: Ao contrario, nosso parâmetro é o sucesso financeiro, material que, ao invés de enlevar as virtudes acima elencadas, aponta para uma vida de excessos, drogas, desrespeito e coisificação da pessoa humana e outras mais, como temos visto nos casos recentes, envolvendo os atletas semi-analfabetos do futebol. Subliminarmente, está aí o “Panis et circensis” não é?

E esses são os paradigmas da sociedade...Esses e os pseudo-artistas com suas composições estúpidas, de uma frase só, de uma imagem e comportamento sofrível, semi-deuses com pés de barro.
Mas peraí, é isso então? A culpa é dos jogadores de futebol e dos pagodeiros?? É por isso que a “nação do politicamente correto” se indigna com a Dilma guerrilheira e vota no Serra, se indigna com os dois e vota na Marina? É por isso que os manequins da moral e cívica evocam Hitler, Chaves, Collor o tempo todo? É deles a culpa das frases feitas?

Acredito que não...vamos lá:

Na saúde, temos médicos que vendem receitas de remédios controlados por 25 reais, vendem atestados médicos por 15 reais, que atendem pacientes em “linha de produção”, sem sequer olhar no rosto dos mesmos, arrogantes, imprudentes e negligentes.Médicos que nunca se atualizam e fazem o jogo da industria farmacêutica, em troca de gratificações. Temos hospitais que se negam a atender problemas clínicos e enchem seus prontuários de atendimento de acidentes com exames que, muitas vezes nem realizam, para dessangrar o DPVAT.

Na segurança temos profissionais formados a toque de caixa, pra suprir as estatísticas de que o governo necessita, recebendo gratificações de terceiros por investigações, cobrando propina nas rodovias, destruindo provas, fraudando licitações, liberando obras inseguras e insalubres, descaracterizando flagrantes, achacando muambeiros, mancomunados com traficantes e contrabandistas, vendidos e subservientes, preocupados apenas com a carreira e o status pessoal,vendo a segurança como um fim em si mesmo e não uma necessidade do estado. Vemos uma segurança publica transformada em emprego, sem identidade, sem sentido de missão, sem comprometimento, numa luta de classes interna que repete o binômio egoísmo e hipocrisia.

Nas relações de trabalho temos patrões que olham o empregado como despesa, avaliando custo/economia, ao invés de custo/benefício, o que provoca a queda na qualidade do serviço prestado, a queda na satisfação do cliente e a queda na auto-estima do profissional capacitado.

Chega a ser engraçado: o bom empregado, ao invés de gratificado é sobrecarregado, em detrimento do mau funcionário, somando-se a isso a torcida comunitária da baixa funcionalidade pelo erro do bom funcionário, devidamente sobrecarregado pela ganância do patrão!

Vou até dar uma resumida meio “saramaguiana”, senão este artigo vira um livro: São os pseudo - bons pais emprestando automóvel para seus pseudo - bom filhos ficarem tirando racha, incomodando o sossego com som alto e empesteando o transito com suas transgressões; O próprio trânsito, por sua vez é a maior mostra de falta de civilidade, cortesia e paciência que alguém pode encontrar. Nem tem muito o que se falar, se nem a sinalização é respeitada; Aliás civilidade?Vai me dizer que você nunca chegou em casa cansado e querendo descansar e uma aberração da sociedade atual chamada vizinho não estava com um som altíssimo até a madrugada e gritando “truuuuuco!”...Cortesia? Que cortesia você encontra quando você vê um guri de 18 anos quase atropelando um senhor ou senhora de 70 anos, apenas para sentar-se no banco de um ônibus?Paciência?A coitada da menina do caixa, que você fica xingando na fila, por acaso tem culpa que o imbecil da sua frente enfiou um carrinho lotado no caixa que dizia “apenas 10 itens”?

Nem vou falar no vicio do poder, na sedução da política, porque isso já encheu o saco, mas venha cá: Você, no período eleitoral, dá um cheque em branco para um cidadão do qual você não conhece nada, a não ser um bordão, em seguida – como no caso do Guga, supracitado - comemora a vitória no esporte eleitoral, depois nunca mais se inteira sobre a atuação do seu atleta-politico e vem querer me dizer que fez a sua “parte na democracia representativa”? E que representatividade é essa, se o cidadão que você elegeu não é do seu bairro, da sua classe social, da sua profissão ou de identidade social similar a sua?? Como ele pode te representar se ele não sabe o que você quer, acredita ou precisa, o que seu bairro, sua classe social ou área profissional precisam?

É, meus amigos, acho que precisamos parar de assistir a novela um pouco, precisamos parar de acreditar em sonhos, destinos e ideais, e sair da “zona de conforto”. É muito fácil culpar o governo, o professor, o vizinho, o padre, o destino, o político, o marido, e ficar no seu cantinho, vitimizado, impotente, esperando que os céus te resgatem e o destino glorioso que o aguarda, te conduza aos píncaros da gloria!É muito fácil culpar o outro e não mexer um dedo para mudar a si mesmo!É por isso que aparecem os “pais do povo”, com suas frases feitas e artigos politicamente corretos.

É certo que passou o tempo de acreditar em uma revolução coletiva, até pela própria racionalidade em que isso implica e chega de achar que o que é melhor pra você é o melhor pra todo mundo!!Chega de ser o “salvador da pátria”! A única revolução possível e, por isso mesmo, a única revolução necessária é a revolução pessoal, é mudar primeiro em si mesmo o que acredita ser melhor para o mundo. Um amigo muito querido usava este chavão: “A lei obriga, o exemplo arrasta”. Se o seu ponto de vista for realmente relevante, ele vai influenciar, vai germinar e vai frutificar! Não adianta querer impor sua verdade, do mesmo jeito que não adianta ficar imóvel reclamando!

O desenvolvimento do senso critico, este é sim a grande mudança que o mundo precisa: A capacidade de analisar com o embasamento adequado, tirar conclusões e se posicionar perante as vicissitudes da vida e qualquer outro assunto, sem esquecer que essa capacidade não te dá o direito de monopólio do certo e do errado, de impor ao outro a sua verdade.

O desenvolvimento do cidadão critico e esclarecido implica no desenvolvimento do cidadão dialético, que não impõe sua verdade nem sua vontade, ao contrario, expõe seus argumentos e busca algo mais próximo de uma solução. Assim, sem subserviência, canalhice ou sofismas, chegaríamos a algo próximo do conceito puro de individuo, que poderia eleger um representante, ser ele mesmo esse representante, ou chutar tudo para o alto e ter condições de sustentar sua escolha.

Mais uma utopia? Mais um amontoado retórico impraticável? Depende do posicionamento pessoal:
-Você pode não mexer a bunda do sofá, não questionar critique e aceitar tudo como está;
-Você ser um dos canalhas maquiavélicos que manipulam tudo isso e tudo certo também, pois você será a prova que o mundo precisava para testar o próprio senso critico, meu querido Lúcifer!
- Você pode se manter dentro da sua matrix pessoal e ser feliz, vivendo no seu mundo de sonhos, sem culpas, afinal é a SUA vida e só a VOCÊ ela interessa!
Agora, de uma vez por todas, se você possui um mínimo de senso critico, entenda que ser vitima de outros é inteligível, agora ser vitima de si mesmo, é inaceitável e o maior crime contra a humanidade que alguém poderia perpetrar.

Mas esse cidadão critico é possível? Na minha visão atual, só nas próximas gerações e pela criação de um sistema de educação Integral, obrigatória no primeiro ciclo, com avaliação meritocrática de alunos e professores.

O primeiro ciclo seria exclusivamente publico e gratuito, não cabendo estabelecimentos privados, visando à igualdade de condições de desenvolvimento entre os alunos e voltado para os temas e assuntos afetos a vida cotidiana, com as matérias ordinárias sendo desenvolvidas pela manha e a tarde utilizada para atividades esportivas, artísticas, de desenvolvimento de senso comunitário, de utilidade prática e social. Professores seriam gratificados conforme desempenho dos alunos que, por sua vez teriam compensações meritocraticas, por seu desempenho, também. Sem essa balela de que o prêmio da educação é o saber.

Grandes mudanças, um novo mundo, meu brother só assim. E não pense que isso partiria da atual conformação social, pois, para o sistema econômico brasileiro atual, essa educação que está ai está de bom tamanho: mantém o cidadão alienado e continua, sem data pra mudar, a reprodução do modelo de sociedade vigente.
Sem nenhuma pretensão, a não ser a me expressar e, se mérito houver, de suscitar o debate, atenciosamente, Marcel Marcus Manholi.

terça-feira, julho 20, 2010

Nerúdico Blog

"Tu risa

Quítame el pan, si quieres,
quítame el aire, pero
no me quites tu risa.

No me quites la rosa,
la lanza que desgranas,
el agua que de pronto
estalla en tu alegría,
la repentina ola
de plata que te nace.

Mi lucha es dura y vuelvo
con los ojos cansados
a veces de haber visto
la tierra que no cambia,
pero al entrar tu risa
sube al cielo buscándome
y abre para mí todas
las puertas de la vida.

Amor mío, en la hora
más oscura desgrana
tu risa, y si de pronto
ves que mi sangre mancha
las piedras de la calle,
ríe, por que tu risa
será para mis manos
como una espada fresca.

Junto al mar en otoño,
tu risa debe alzar
su cascada de espuma,
y en primavera, amor,
quiero tu risa como
la flor que yo esperaba,
la flor azul, la rosa
de mi patria sonora.

Ríete de la noche,
del día, de la luna,
ríete de las calles
torcidas de la isla,
ríete de este torpe
muchacho que te quiere,
pero cuando yo abro
los ojos y los cierro,
cuando mis pasos van,
cuando vuelven mis pasos,
niégame el pan, el aire,
la luz, la primavera,
pero tu risa nunca
por que me moriría."

Pablo Neruda

segunda-feira, junho 21, 2010

Barbeado blog

Hoje me olhei no espelho e percebi uma coisa: estava a cara do Rob Zombie ( ou Bin Laden, Primo It, Chewbacca, Pé Grande, pseudo-comunista, Lobisomem, enfim.... você decide).
Percebi que estava na hora de ir cortar o cabelo e fazer a barba após 4 meses de "boicote" à tesoura.
Pensei em ir à um salão de cabeleireiro perto de casa, mas lembrei da última vez que fui em um: Ter que botar a cabeça dentro daquele tanque, passar shampoo, e ter o cabelo alisado, depois passa secador, e corta aqui, corta ali, pergunta se está bom, e corta mais... ARGH
Decidi pelo óbvio, ir ao barbeiro.
Mulheres e metrosexuais ( bichas que não se assumem) não entendem essa preferência masculina pelo barbeiro. É algo complexo na verdade.
Começa pelo ambente único, aquele salão com suas cadeiras antigas e aqueles velhinhos em pé com um jaleco branco com uma tesoura, um pente e uma navalha no bolso. Música antiga tocando no rádio, alguns clientes esperando a vez, ventilador que faz barulho, gente que está sempre lá pra bater papo com os barbeiros mas não vai cortar o cabelo, o garoto que engraxa sapatos... e por aí vai.
Espero uns 10 minutos e chega a minha vez. Me levanto, cruzo o salão com piso xadrez ( clássico) e me sento naquela cadeira antiga, porém confortável, de frente pro espelho com algumas fotos de família e o escudo do time dele.
Ele sempre pergunta "Como vai ser?" e a gente sempre responde "Dá uma abaixada no cabelo" ou "Corta ae". Não precisa explicar mais nada, parece que ele lê a mente e faz do jeito que você quer. Eu só disse "Abaixa o cabelo e faz a barba, mas deixa um cavanhaque por favor" e foi o suficiente.
Quando ele começa a cortar surgem os papos, barbeiro adora papear. E o pior, eles parecem oniscientes, pois sabem de tudo e sabem conversar sobre tudo, é incrível. Eles são mais bem informados que grandes empresários ou jornalistas.
Após ficar bem informado sobre os fatos do mundo, meu cabelo está cortado. Ele passa uma loção ali no pé do cabelo, bem na nuca onde é raspado um pouquinho. Isso arde pacas, mas ajuda a fechar os poros ali. E depois joga um talco. Talco... só no barbeiro ou num berçário eu vejo isso. Vai ver esse é um dos fatores que fazem com que os homens gostem de ir lá, nostagia.
Depois vem a barba. A cadeira é reclinada e ele passa espuma com um pincel de barba no nosso rosto. Mais um ponto positivo, nesses tempos de espuma de barbear já pronta dentro de spray dá sempre uma certa saudade da época que tinhamos que misturar aquela pasta na água e passar no rosto com o pincel.
Após isso, ele começa a passar a navalha. Mais dois pontos positivos:
1) Homem gosta de viver perigosamente. Quer coisa mais perigosa que confiar em um sujeito que está passando uma navalha afiada perto da sua garganta?

2) Por melhores que sejam as lâminas de barbear que usamos em casa, nada supera uma navalha.

Barba feita, vem a provação final: Pedra ume passada no rosto. Arde como se fosse pimenta nos olhos, mas ninguém ousa demonstrar dor. Mais um ponto positivo, nossa masculinidade é afirmada.

Pois é... saí de lá com o cabelo e a barba espalhados pelo chão com piso xadrez da barbearia, sentindo a brisa no rosto como eu não sinto à 4 meses.
Daqui a mais ou menos 2 meses eu volto lá, pra mesma antiga barbearia, com as mesmas cadeiras antigas e com o mesmo velho barbeiro que até do meu avô fez a barba.



sexta-feira, junho 18, 2010

Saramaguiano Blog

Não é segredo que sou um fã de José de Sousa Saramago, o filho de pais analfabetos que ganhou um Nobel de Literatura e que há uma semana deve ter recebido uma carta com envelope roxo.
Não vou escrever uma mini-biografia sobre ele aqui, isso qualquer um consegue ler indo numa Wikipédia, e sim fazer uma singela homenagem.
Conheci a obra de Saramago quando um primo português veio nos visitar e trouxe de presente um livro chamado “A Caverna”. Comecei a ler, primeiro estranhando a forma como as frases são separadas, como os diálogos ocorrem e achando muito estranho... até o momento que li em voz alta! A partir do momento que me acertei com a escrita de Saramago, foi muito mais fácil me aventurar pela história de um oleiro misturada ao “mito” da Caverna, de Platão.
A partir daí, virei um fã do velhinho! Parti para ler “As intermitências da Morte”, que conta uma história interessante sobre quando a Morte decide parar de matar. Sim, cansada de ser mal vista, incompreendida, ela decide que ninguém mais, num certo país, irá morrer. Imaginem os problema que isso não causou?
Depois disso, li “Cegueira”. Acho que esse não preciso mencionar. Quem ainda não viu o belo filme de Fernando Meirelles?
O seguinte foi “A história do cerco de Lisboa”, onde um revisor de textos, num rompante de tédio, decide mudar a história das Cruzadas, e ao mudar uma frase num texto sobre elas, acaba transformando Lisboa atual numa cidade islâmica.
Um dos meu favoritos é "A jangada de pedra", uma história em que a Península Ibérica simplesmente se desprende do resto da Europa e passa a navegar pelo Atlântico. Surreal!!
Mas, de longe, meu livro favorito do velhinho é “O Evangelho segundo Jesus Cristo”. Ousado. Herege. Mas PERFEITO. Mostrando um Jesus mais humano, e analisando por outra ótica certos fatos da Bíblia, Saramago criou um livro perfeito, que foi proibido em Portugal, sua terra natal, e fez com que ele, magoado, se mudasse para as Ilhas Canárias.
Não tem jeito, hoje ao saber do ocorrido fiquei triste de verdade, como se alguém próximo tivesse morrido. E ele não deixa de fazer parte da minha história, pois foi num fórum sobre Saramago que conheci minha esposa, e, como num conto de realismo fantástico, bem Saramaguiano, um casal se conhece e se apaixona, mesmo morando à léguas de distância.

Termino aqui com um pequeno trecho do primeiro livro de Saramago que li, e que até hoje diz muito sobre mim.

"...dizemos aos confusos, Conhece-te a ti mesmo,
como se conhecer-se a si mesmo não fosse
a quinta e mais dificultosa operação
das aritméticas humanas..."

José Saramago - A Caverna

domingo, março 14, 2010

Ogro Blog

As vezes eu imagino que sou descendente do Shrek, o Ogro. Dia desses, conversando com a Thiara, falamos sobre homens que costumam fazer as unhas. Por fazer as unhas eu digo cortar, lixar, tirar cutícula, passar um treco que deixa a unha brilhando, enfim, quase encerar a unha. Nada contra quem faz isso, mas eu não tenho paciência pra ficar fazendo isso, apenas corto as unhas e está ótimo. Já lixei as unhas algumas vezes na vida, mas é algo raro.
Outra coisa que me faz pensar ser um descendente de Conan, o Bárbaro, é o fato de não saber pra que serve nem 1/5 dos cremes que ou minha mãe ou a Thiara tem no banheiro. Em outra conversa, com uma amiga, ela me disse que um certo ator global certa vez falou que o que o seduz numa mulher é o olhar. Que ele não resiste a rímel, definidor ( acho que é isso), sombra e outros trecos de passar no olho. Cara, acho que de nome eu só lembro do tal do rímel e da sombra. Mas não faço a menor idéia da utilidade deles.
Outra coisa que faz com que eu suspeite ser da linhagem de Átila, o Huno, é que, quando eu vou em alguma Pinacoteca ( tô até bem, já sei o que é uma pinacoteca) eu bocejo na maioria dos quadros. Na verdade eu gosto daqueles onde eu consiga reconhecer o que está retratado. O problema é a tal da arte moderna. Sempre que eu vejo um desses quadros eu fico imaginando se o "artista" simplesmente não deu um pincel pra um chimpanzé pintar a tela.
Mas o que me dá a total certeza de ser a reencarnação de Groo, o Errante, é na mesa. Tudo bem, eu conheço as normas BÁSICAS de etiqueta, como não colocar os cotovelos na mesa, não arrotar, não falar de boca cheia, como usar garfo e faca... e só. Saber qual é o maldito talher de peixe é algo que eu ainda não descobri. Se tal vinho fica melhor tal comida é algo que eu decido, e não a maldita etiqueta. Se o garçom, ao abrir o vinho, me traz a rolha, eu olho com cara de poucos amigos e pergunto"tenho cara de lixeira?", afinal, de nada adianta eu cheirar aquilo, vinho tem tudo o mesmo cheiro.
E pra falar a verdade, pra desgosto da minha família portuguesa, eu prefiro vinho tinto suave, daqueles que custam 4 reais a garrafa.

sexta-feira, janeiro 22, 2010

Minoritário Blog

Existe no Brasil e no mundo uma imensa discussão sobre as adaptações que deveriam ser feitas na sociedade e em locais públicos para facilitar a vida de usuários e/ou contribuintes que pertencem às tão faladas minorias. Quem seriam os integrantes dessas minorias? No Brasil seriam os anões, obesos, deficientes físicos, negros ( minoria?), homossexuais, orientais, pessoas de baixa renda ( minoria??), etc... Bem, essas mudanças não necessariamente são feitas à favor das minorias, vide o caso dos fumantes que ficam cada vez mais relegados à um cantinho ( literalmente) nos shoppings, restaurantes e escritórios, mas o fato é que essas mudanças ocorrem e favorecem algum segmento da sociedade. Vejamos os exemplos:
- Cadeiras mais largas para os obesos
- Telefones mais baixos para os anões
- Semáforos sonoros para os cegos
- Cotas raciais para negros e pessoas de baixa renda
- Closed Caption para surdos
- Calçadas mais baixas e assentos sanitários adaptados aos deficientes físicos

Mas, existe uma minoria na sociedade que nunca é lembrada e, quando um de seus membros diz que a sociedade não é adaptada para eles, as pessoas dizem que eles não tem do que reclamar. Quem são os incompreendidos membros da sociedade que fazem parte desta minoria não reconhecida? São os altos. Sim, caros 4 leitores, eu faço parte desta minoria incompreendida por esta sociedade de baixa estatura. Todos desta sociedade baixinha acham que não temos problemas pelo fato de não precisarmos de escada para trocar uma lâmpada mas, por baixo desta alta estatura que possuímos, existem corações amargurados pelo descaso da sociedade verticalmente prejudicada. E quais os problemas que nós, altos, temos que passar no nosso cotidiano num mundo feito para atender as necessidades da sociedade pintora de rodapé? Veja abaixo como nós, altos, sofremos neste mundo nanico:
- Termos de, ou sentar no fundo da sala de aula, ou abaixar a cabeça pra que outros enxerguem o quadro negro.
- Colocar o banco do motorista todo para trás para podermos dirigir.
- Chuveiros baixos
- Encontrar calças adequadas
- Bater a cabeça no ferro do ônibus ou levar um tapa na cabeça quando algum baixinho vai segurar o ferro do ônibus
- Ter de pagar passagem de avião de classe executiva, no mínimo, se quiser chegar ao destino com seus joelhos intactos.
- Abaixar a cabeça no cinema pro nanico que está sentado no banco de trás possa assistir o filme.
- Dar cabeçada em ovos de Páscoa.
- Dormir com os pés pra fora da cama
- Se abaixar pra aparecer em foto junto com pigmeus.
- Aturar cidadãos de Lilliput dizendo que você deveria jogar basquete.
- Ir em feiras livres e perceber que as barracas são feitas pra que salva-vidas de aquário não batam com a cabeça.
- Toldos de lojas gerenciadas por guarda-costas de Playmobil.

Perceberam as dificuldades que nós, altos, passamos no nosso dia a dia? Não são poucas as provações que esta sociedade maquinista de Ferrorama nos impõe! Nós, altos, deveríamos fundar uma ONG em defesa dos nossos direitos, visto que pagamos tantos impostos quanto qualquer cidadão.
Vamos deixar a sociedade brasileira num nível mais alto!!!!