sexta-feira, junho 18, 2010

Saramaguiano Blog

Não é segredo que sou um fã de José de Sousa Saramago, o filho de pais analfabetos que ganhou um Nobel de Literatura e que há uma semana deve ter recebido uma carta com envelope roxo.
Não vou escrever uma mini-biografia sobre ele aqui, isso qualquer um consegue ler indo numa Wikipédia, e sim fazer uma singela homenagem.
Conheci a obra de Saramago quando um primo português veio nos visitar e trouxe de presente um livro chamado “A Caverna”. Comecei a ler, primeiro estranhando a forma como as frases são separadas, como os diálogos ocorrem e achando muito estranho... até o momento que li em voz alta! A partir do momento que me acertei com a escrita de Saramago, foi muito mais fácil me aventurar pela história de um oleiro misturada ao “mito” da Caverna, de Platão.
A partir daí, virei um fã do velhinho! Parti para ler “As intermitências da Morte”, que conta uma história interessante sobre quando a Morte decide parar de matar. Sim, cansada de ser mal vista, incompreendida, ela decide que ninguém mais, num certo país, irá morrer. Imaginem os problema que isso não causou?
Depois disso, li “Cegueira”. Acho que esse não preciso mencionar. Quem ainda não viu o belo filme de Fernando Meirelles?
O seguinte foi “A história do cerco de Lisboa”, onde um revisor de textos, num rompante de tédio, decide mudar a história das Cruzadas, e ao mudar uma frase num texto sobre elas, acaba transformando Lisboa atual numa cidade islâmica.
Um dos meu favoritos é "A jangada de pedra", uma história em que a Península Ibérica simplesmente se desprende do resto da Europa e passa a navegar pelo Atlântico. Surreal!!
Mas, de longe, meu livro favorito do velhinho é “O Evangelho segundo Jesus Cristo”. Ousado. Herege. Mas PERFEITO. Mostrando um Jesus mais humano, e analisando por outra ótica certos fatos da Bíblia, Saramago criou um livro perfeito, que foi proibido em Portugal, sua terra natal, e fez com que ele, magoado, se mudasse para as Ilhas Canárias.
Não tem jeito, hoje ao saber do ocorrido fiquei triste de verdade, como se alguém próximo tivesse morrido. E ele não deixa de fazer parte da minha história, pois foi num fórum sobre Saramago que conheci minha esposa, e, como num conto de realismo fantástico, bem Saramaguiano, um casal se conhece e se apaixona, mesmo morando à léguas de distância.

Termino aqui com um pequeno trecho do primeiro livro de Saramago que li, e que até hoje diz muito sobre mim.

"...dizemos aos confusos, Conhece-te a ti mesmo,
como se conhecer-se a si mesmo não fosse
a quinta e mais dificultosa operação
das aritméticas humanas..."

José Saramago - A Caverna

9 comentários:

  1. Bela homenagem Alexandre!

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  2. aah que legal, você gostava mesmo ;~ parabééns !

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  3. Não só a literatura portuguesa perdeu um grande nome (vivo, pois viverá sempre nas suas palavras), mas toda uma geração que cresceu lendo Saramago. Parabéns pela homenagem.

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  4. Primeiro eu fiquei triste com a notícia. Logo pela manhã, assim que abri o site do globo. E o resto do dia lembrei de você pra caramba, lá do trabalho não dá pra acessar blog nenhum. Mas eu tinha certeza que você teria preparado algo. Belíssimo texto. Assim como ele, também tive pena de vê-lo morrer.

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  5. Não li quase nada de Saramago, mas sei da imensa contribuição que ele deixou para a literatura. Perde-se a pessoa, mas o escritor viverá para sempre.

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. pARBÉNS, bELA hOMENAGEM!!! ÓTIMO BLOG E TE DOU UMA DICA, TENTA ACHAR UM TEMPLATE LEGAL PRO SEU BLOG!

    Abs.

    Gabriel Nelson Koller

    Blog do Nelso, visita:
    www.blogdonelso.blogspot.com

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