quinta-feira, junho 29, 2017

Grunge blog

 Fui então ver a exposição Nirvana: Taking Punk to the Masses, no Museu Histórico Nacional (que é um dos meus locais favoritos nesse Rio de Janeiro). 
 Não é segredo que sou um fã de Nirvana. Fiquei lembrando de quando conheci a banda. Foi em 90, uma época que eu tava me definindo musicalmente. Eu comecei ouvindo o saudoso Michael Jackson. Lembro que ouvia também Guns and Roses, mas não ligava muito para aquelas voz esganiçada do Axl, e um ou outro metal. Um dia, ouvindo a Fluminense FM (a extinta Maldita) e ouvi uma musica chamada "Love Buzz" e o nome da banda era NIRVANA. "Legal...", pensei, nome maneiro, mas aqueles acordes não saíam da minha cabeça. Fui procurando mais coisas sobre Nirvana, mas não encontrava. A única coisa que eu sabia sobre Nirvana é que era uma palavra que no Budismo significava um estado de libertação. Em 91 estava eu ouvindo a extinta Rádio Cidade, e começa uma música com uns acordes de baixo e logo após começa uma pancada sonora... caracas, vidrei naquela música. O nome dela? “Smells like teen spirit”. O nome da banda? NIRVANA. Daí foi muita coisa que aconteceu: decorei tudo que é música, usava camiseta da banda com camisa de flanela no calor carioca, fui no show na Apoteose... enfim, típico pirralhinho grunge dos anos 90. Diferente de hoje em dia, ouvir Nirvana era meio que uma forma de protesto. Ou de libertação. Pra quem não se lembra, o pessoal já tava meio cansado do marasmo do fim dos anos 80. Hoje em dia existem inúmeros festivais dos anos 80, mas a verdade é que quem viveu os anos 80 já estava de saco cheio deles. Só que no início dos anos 90, começa a surgir um movimento em Seattle chamado Grunge, e meio que como carro abre-alas vinha o Nirvana, numa posição não aceita por eles, diga-se de passagem. O Grunge se caracterizou por não ter aquele maldito virtuosismo dos anos 80, por ter letras que condiziam com a realidade dos fãs e, a sua melhor característica na minha opinião, pelo fato dos músicos se vestirem que nem gente, e não com couro, lurex e lycra. Não que o couro, lurex e lycra não tenham sua importância no rock, tem sim. Mas já estávamos de saco cheio disso. O Grunge meio que deu um pouco de ar pro rock respirar, e que acabou fazendo com que ele voltasse com força total, seja qual for sua vertente. O visual lenhador não era pra lançar moda, e sim era a roupa que eles usavam no dia a dia, só isso. Nirvana nem era a “melhor” banda do movimento, mas foi, e é, minha preferida.
 Ver a exposição não foi apenas ver a minha banda favorita. Foi uma viagem no tempo e nos sentimentos. Não apenas relativos ao Grunge em si, mas de tudo na época. Vitórias, conquistas, derrotas, perdas pessoais, pessoas queridas que já se foram... Ver essa exposição também me fez ficar triste ao lembrar que Cobain, Staley, Weiland e Cornell já morreram. Talentos que foram embora cedo demais.
 Uma coisa que me dá pena dos garotos de hoje em dia é o fato deles não terem a exata noção do que foi o Nirvana. Eu sei como é isso, afinal eu curto Beatles, Elvis e afins. Não vi Elvis num palco, só o conheci em gravações. O mesmo acontece com estes garotos que, sendo fãs de Nirvana, não terão a chance de ver a banda fazendo sucesso, de aguardar o lançamento de um novo disco, de juntar uma grana pra ir no show dos caras e, num dia de abril de 94 ao assistir o Jornal Nacional receber a notícia de que seu ídolo deu um tiro na cabeça e se juntou às lendas do rock em algum grande show eterno.

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segunda-feira, junho 26, 2017

Fígaro Blog.

 Chega aquela época em que é necessária a poda da juba e da barba. No meu caso, é basicamente quando começo a mastigar o bigode ou fico com o cabelo igual ao do Krushnood Butt.
Então vem a difícil escolha de onde irei executar a tosa: Barbeiro Raiz ou Barbeiro Nutella.

 No caso do barbeiro raiz, eu geralmente tenho 3 opções: O velhinho do bairro que cortou o cabelo até do meu avô, um barbeiro raiz perto do trabalho ou uma antiga barbearia com uns barbeiros velhinhos de jaleco branco. Cada uma das 3 tem suas particularidades, mas mantém a linha tradicional pelo simples fato de serem tradicionais. 

O barbeiro Nutella, até onde entendi, se trata de um lugar moderno mas que finge ter um ar antigo. Todos tem móveis imitando barbearias antigas, com os caras vestindo roupas da década de 20 e te dando uma cerveja de brinde. Tudo bem que o corte custa 50 reais e nos barbeiros raiz custa uns 25 e dá pra você tomar uns chopes com o troco, mas beleza. 

Dizem que o barbeiro Nutella faz uns cortes diferentes, deixa a barba mais "estilosa" e todo o clima vintage faz você se sentir no século passado. O que é curioso, pois o barbeiro raiz faz o mesmo efeitp de viagem no tempo, ainda mais se forem os coroas de jaleco ou o velhinho do bairro que cortava o cabelo do meu avô. Inclusive com as músicas que tocam no rádio. Inclusive já escrevi sobre isso antes, bem aqui.


E o corte diferente e barba "estilosa" não fazem a cabeça deste cidadão hétero com quase 40 anos. 

segunda-feira, junho 05, 2017

Limítrofe Blog.

Você acorda cedo.

Você acorda cedo e sai de casa cedo.

Você acorda cedo e sai de casa cedo pois pega dois ônibus para ir pro trabalho.

Você acorda cedo e sai de casa cedo pois pega dois ônibus para ir pro trabalho pois quer ir em relativo silêncio.

Você acorda cedo e sai de casa cedo pois pega dois ônibus para ir pro trabalho pois quer ir em relativo silêncio visto que no trem, onde você levaria somente meia hora para chegar ao trabalho, o silêncio é algo que não existe.

Você acorda cedo e sai de casa cedo pois pega dois ônibus para ir pro trabalho pois quer ir em relativo silêncio visto que no trem, onde você levaria somente meia hora para chegar ao trabalho, o silêncio é algo que não existe e você quer um pouco de silêncio em sua vida pois no seu trabalho o telefone toca o tempo todo e em casa você tem vizinhos ouvindo música alta o tempo todo e na frente de casa tem uma porra de um lanterneiro.

E todo o dia a mesma coisa. E todo dia é o Dia da Marmota.

Você já nem aguenta mais ouvir seu nome.

Você tenta certos subterfúgios.

Há uma orla, um boulevard e um museu.

Você os usa para ter um mínimo de silêncio antes de entrar no seu trabalho.

A orla é passagem entre as barcas e o distrito naval. As pessoas passam conversando alto. Valeu a tentativa, mas não dá.

O boulevard deu por um tempo. Mas de uns meses pra cá o pessoal da sua empresa resolveu socializar ali na frente de um dos prédios. Você é sempre avistado e sempre falam com você. É, não rola mais.

Sobrou o museu. O museu tem uma pista em volta. Silenciosa, segura, só o barulho do mar, vento e grilos. Tá, vez ou outra tem alguém falando alto. Pessoas correndo. Mas no geral você relaxa.

Hoje você caminha lá. É um dos raros lugares no Centro onde faz um certo silêncio. Só o som do vento. Das ondas. Dos grilos. Você consegue relaxar uns instantes. A paz inunda seu ser.

Passam duas mulheres conversando em voz alta e esganiçada. Cidadão correndo e gemendo pois aparentemente sente tesão em correr. Porra dum sino tocando loucamente na Nossa Senhora de Montserrat. Helicóptero sobrevoando. Portuário te abordando pra falar de trabalho.


Você sente uma simpatia enorme por D-Fens.