segunda-feira, junho 26, 2017

Fígaro Blog.

 Chega aquela época em que é necessária a poda da juba e da barba. No meu caso, é basicamente quando começo a mastigar o bigode ou fico com o cabelo igual ao do Krushnood Butt.
Então vem a difícil escolha de onde irei executar a tosa: Barbeiro Raiz ou Barbeiro Nutella.

 No caso do barbeiro raiz, eu geralmente tenho 3 opções: O velhinho do bairro que cortou o cabelo até do meu avô, um barbeiro raiz perto do trabalho ou uma antiga barbearia com uns barbeiros velhinhos de jaleco branco. Cada uma das 3 tem suas particularidades, mas mantém a linha tradicional pelo simples fato de serem tradicionais. 

O barbeiro Nutella, até onde entendi, se trata de um lugar moderno mas que finge ter um ar antigo. Todos tem móveis imitando barbearias antigas, com os caras vestindo roupas da década de 20 e te dando uma cerveja de brinde. Tudo bem que o corte custa 50 reais e nos barbeiros raiz custa uns 25 e dá pra você tomar uns chopes com o troco, mas beleza. 

Dizem que o barbeiro Nutella faz uns cortes diferentes, deixa a barba mais "estilosa" e todo o clima vintage faz você se sentir no século passado. O que é curioso, pois o barbeiro raiz faz o mesmo efeitp de viagem no tempo, ainda mais se forem os coroas de jaleco ou o velhinho do bairro que cortava o cabelo do meu avô. Inclusive com as músicas que tocam no rádio. Inclusive já escrevi sobre isso antes, bem aqui.


E o corte diferente e barba "estilosa" não fazem a cabeça deste cidadão hétero com quase 40 anos. 

segunda-feira, junho 05, 2017

Limítrofe Blog.

Você acorda cedo.

Você acorda cedo e sai de casa cedo.

Você acorda cedo e sai de casa cedo pois pega dois ônibus para ir pro trabalho.

Você acorda cedo e sai de casa cedo pois pega dois ônibus para ir pro trabalho pois quer ir em relativo silêncio.

Você acorda cedo e sai de casa cedo pois pega dois ônibus para ir pro trabalho pois quer ir em relativo silêncio visto que no trem, onde você levaria somente meia hora para chegar ao trabalho, o silêncio é algo que não existe.

Você acorda cedo e sai de casa cedo pois pega dois ônibus para ir pro trabalho pois quer ir em relativo silêncio visto que no trem, onde você levaria somente meia hora para chegar ao trabalho, o silêncio é algo que não existe e você quer um pouco de silêncio em sua vida pois no seu trabalho o telefone toca o tempo todo e em casa você tem vizinhos ouvindo música alta o tempo todo e na frente de casa tem uma porra de um lanterneiro.

E todo o dia a mesma coisa. E todo dia é o Dia da Marmota.

Você já nem aguenta mais ouvir seu nome.

Você tenta certos subterfúgios.

Há uma orla, um boulevard e um museu.

Você os usa para ter um mínimo de silêncio antes de entrar no seu trabalho.

A orla é passagem entre as barcas e o distrito naval. As pessoas passam conversando alto. Valeu a tentativa, mas não dá.

O boulevard deu por um tempo. Mas de uns meses pra cá o pessoal da sua empresa resolveu socializar ali na frente de um dos prédios. Você é sempre avistado e sempre falam com você. É, não rola mais.

Sobrou o museu. O museu tem uma pista em volta. Silenciosa, segura, só o barulho do mar, vento e grilos. Tá, vez ou outra tem alguém falando alto. Pessoas correndo. Mas no geral você relaxa.

Hoje você caminha lá. É um dos raros lugares no Centro onde faz um certo silêncio. Só o som do vento. Das ondas. Dos grilos. Você consegue relaxar uns instantes. A paz inunda seu ser.

Passam duas mulheres conversando em voz alta e esganiçada. Cidadão correndo e gemendo pois aparentemente sente tesão em correr. Porra dum sino tocando loucamente na Nossa Senhora de Montserrat. Helicóptero sobrevoando. Portuário te abordando pra falar de trabalho.


Você sente uma simpatia enorme por D-Fens.