segunda-feira, agosto 07, 2017

Dupliplusbom Blog

De uns tempos pra cá, por algum motivo que desconheço, uma galerinha "dubem" passou a querer controlar o que você diz, faz ou pensa. Tudo isso em nome da bondade, respeito e pluralidade. Oprimem contra a opressão. Censuram pela liberdade. Fazem malabarismos lógicos para taxar como ditaduras aquilo que não gostam e chamar de democracia ditaduras descaradas que compartilham de sua ideologia.

 Quem já leu o romance “1984” de George Orwell vai entender de cara essa questão. Essa galerinha "dubem" utiliza de duas ferramentas linguísticas que Orwell descreveu muito bem em sua distopia: duplipensamento e novilíngua. Basicamente, essas ferramentas visam moldar o pensamento a partir da mentalidade revolucionária e limitar a capacidade de comunicação e expressão dos indivíduos, transformando-os em meros robôs. 

O duplipensamento é o ato de aceitar simultaneamente duas crenças mutualmente contraditórias como corretas. Parece com hipocrisia, mas na verdade a pessoa REALMENTE acredita no que fala. Exemplo: Venezuela teve seu parlamento trocado na cara dura por Maduro. Mas é uma democracia. Brasil afastou democraticamente uma presidente, mas na verdade sofreu golpe e vive uma ditadura. Outro bom exemplo é a desconstrução da individualidade ao mesmo tempo em que se glorifica a mesma, desde que seja "progressista". Você pode ser racista, desde que não seja branco. E assim vai.

A novilíngua se trata de um idioma fictício criado pelo governo da Oceânia. É conhecida não pela criação, mas sim pela remoção de termos para limitar o pensamento. Faço uma alusão à novilíngua pois os atuais sociolinguistas insistem na eliminação da desinência de gênero ao colocar "x" nas palavras (ex: amigxs), e maneiras de se comunicar sem oprimir alguém. Inclusive hoje fala-se muito em "preconceito linguístico", que é uma discussão válida na língua falada, mas que anda sendo imposta à linguagem culta. 
 A consequência disso é a perda de vocabulário e a capacidade de se comunicar, e com isso a perda da ligação do presente com o passado. 

Outro termo vindo da novilíngua e que anda se tornando extremamente presente é a Crimidéia. Andam querendo proibir o pensamento. Mesmo. Querem que se proíbam algumas ideologias tidas como causadoras de milhões de mortes ao mesmo tempo em que se louvam outras ideologias causadoras de milhões de mortes, num duplipensar magnífico. 

O que quero dizer com isso? Que tenho "1984" como uma profecia, junto com "Demolition Man" e "Idiocracia". 

Orwell escreveu essa magnífica obra como um alerta, mas parece que muitos o tomaram como um manual.


Resultado de imagem para 1984

sexta-feira, julho 28, 2017

Fingido Blog


"O poeta é um fingidor

Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente"


 Embora não seja poeta, sou uma pessoa, não tão complexa quanto o Pessoa, e finjo que é dor a dor que deveras sinto. 
Todo dia, ao acordar, preciso achar um motivo pra levantar e encarar o trânsito e o emprego que, apesar de pagar direito, não traz satisfação alguma. Basicamente o motivo que encontro é poder cuidar da pessoa que amo. Ou simplesmente falo pra mim mesmo "Você é pobre, Alexandre", e me convenço a sair.

Não tô tentando fazer texto que faça sentido ou qualquer coisa. Tá mais pra um desabafo, apenas. 

Tô cansado. Não fisicamente, mas na "alma", se é que isso existe. Esgotado. Esvaído. Parece que está num nível celular, se é que essa comparação faz algum sentido. 

Não, não estou fazendo carta de despedida, não pretendo me matar nem nada disso. Não faz meu estilo. Dá trabalho, é sujo e deixa as pessoas que você ama devastadas. Não que esse pensamento já não tenha surgido na cabeça, até mesmo por conta da depressão diagnosticada há anos. Mas sempre fui mais do "encara de frente e foda-se". E não tenho intenção de mudar essa atitude. 

Mas confesso um certo alívio que Nembutal seja difícil de se conseguir.

Depression

quinta-feira, junho 29, 2017

Grunge blog

 Fui então ver a exposição Nirvana: Taking Punk to the Masses, no Museu Histórico Nacional (que é um dos meus locais favoritos nesse Rio de Janeiro). 
 Não é segredo que sou um fã de Nirvana. Fiquei lembrando de quando conheci a banda. Foi em 90, uma época que eu tava me definindo musicalmente. Eu comecei ouvindo o saudoso Michael Jackson. Lembro que ouvia também Guns and Roses, mas não ligava muito para aquelas voz esganiçada do Axl, e um ou outro metal. Um dia, ouvindo a Fluminense FM (a extinta Maldita) e ouvi uma musica chamada "Love Buzz" e o nome da banda era NIRVANA. "Legal...", pensei, nome maneiro, mas aqueles acordes não saíam da minha cabeça. Fui procurando mais coisas sobre Nirvana, mas não encontrava. A única coisa que eu sabia sobre Nirvana é que era uma palavra que no Budismo significava um estado de libertação. Em 91 estava eu ouvindo a extinta Rádio Cidade, e começa uma música com uns acordes de baixo e logo após começa uma pancada sonora... caracas, vidrei naquela música. O nome dela? “Smells like teen spirit”. O nome da banda? NIRVANA. Daí foi muita coisa que aconteceu: decorei tudo que é música, usava camiseta da banda com camisa de flanela no calor carioca, fui no show na Apoteose... enfim, típico pirralhinho grunge dos anos 90. Diferente de hoje em dia, ouvir Nirvana era meio que uma forma de protesto. Ou de libertação. Pra quem não se lembra, o pessoal já tava meio cansado do marasmo do fim dos anos 80. Hoje em dia existem inúmeros festivais dos anos 80, mas a verdade é que quem viveu os anos 80 já estava de saco cheio deles. Só que no início dos anos 90, começa a surgir um movimento em Seattle chamado Grunge, e meio que como carro abre-alas vinha o Nirvana, numa posição não aceita por eles, diga-se de passagem. O Grunge se caracterizou por não ter aquele maldito virtuosismo dos anos 80, por ter letras que condiziam com a realidade dos fãs e, a sua melhor característica na minha opinião, pelo fato dos músicos se vestirem que nem gente, e não com couro, lurex e lycra. Não que o couro, lurex e lycra não tenham sua importância no rock, tem sim. Mas já estávamos de saco cheio disso. O Grunge meio que deu um pouco de ar pro rock respirar, e que acabou fazendo com que ele voltasse com força total, seja qual for sua vertente. O visual lenhador não era pra lançar moda, e sim era a roupa que eles usavam no dia a dia, só isso. Nirvana nem era a “melhor” banda do movimento, mas foi, e é, minha preferida.
 Ver a exposição não foi apenas ver a minha banda favorita. Foi uma viagem no tempo e nos sentimentos. Não apenas relativos ao Grunge em si, mas de tudo na época. Vitórias, conquistas, derrotas, perdas pessoais, pessoas queridas que já se foram... Ver essa exposição também me fez ficar triste ao lembrar que Cobain, Staley, Weiland e Cornell já morreram. Talentos que foram embora cedo demais.
 Uma coisa que me dá pena dos garotos de hoje em dia é o fato deles não terem a exata noção do que foi o Nirvana. Eu sei como é isso, afinal eu curto Beatles, Elvis e afins. Não vi Elvis num palco, só o conheci em gravações. O mesmo acontece com estes garotos que, sendo fãs de Nirvana, não terão a chance de ver a banda fazendo sucesso, de aguardar o lançamento de um novo disco, de juntar uma grana pra ir no show dos caras e, num dia de abril de 94 ao assistir o Jornal Nacional receber a notícia de que seu ídolo deu um tiro na cabeça e se juntou às lendas do rock em algum grande show eterno.

Imagem relacionada

segunda-feira, junho 26, 2017

Fígaro Blog.

 Chega aquela época em que é necessária a poda da juba e da barba. No meu caso, é basicamente quando começo a mastigar o bigode ou fico com o cabelo igual ao do Krushnood Butt.
Então vem a difícil escolha de onde irei executar a tosa: Barbeiro Raiz ou Barbeiro Nutella.

 No caso do barbeiro raiz, eu geralmente tenho 3 opções: O velhinho do bairro que cortou o cabelo até do meu avô, um barbeiro raiz perto do trabalho ou uma antiga barbearia com uns barbeiros velhinhos de jaleco branco. Cada uma das 3 tem suas particularidades, mas mantém a linha tradicional pelo simples fato de serem tradicionais. 

O barbeiro Nutella, até onde entendi, se trata de um lugar moderno mas que finge ter um ar antigo. Todos tem móveis imitando barbearias antigas, com os caras vestindo roupas da década de 20 e te dando uma cerveja de brinde. Tudo bem que o corte custa 50 reais e nos barbeiros raiz custa uns 25 e dá pra você tomar uns chopes com o troco, mas beleza. 

Dizem que o barbeiro Nutella faz uns cortes diferentes, deixa a barba mais "estilosa" e todo o clima vintage faz você se sentir no século passado. O que é curioso, pois o barbeiro raiz faz o mesmo efeitp de viagem no tempo, ainda mais se forem os coroas de jaleco ou o velhinho do bairro que cortava o cabelo do meu avô. Inclusive com as músicas que tocam no rádio. Inclusive já escrevi sobre isso antes, bem aqui.


E o corte diferente e barba "estilosa" não fazem a cabeça deste cidadão hétero com quase 40 anos. 

segunda-feira, junho 05, 2017

Limítrofe Blog.

Você acorda cedo.

Você acorda cedo e sai de casa cedo.

Você acorda cedo e sai de casa cedo pois pega dois ônibus para ir pro trabalho.

Você acorda cedo e sai de casa cedo pois pega dois ônibus para ir pro trabalho pois quer ir em relativo silêncio.

Você acorda cedo e sai de casa cedo pois pega dois ônibus para ir pro trabalho pois quer ir em relativo silêncio visto que no trem, onde você levaria somente meia hora para chegar ao trabalho, o silêncio é algo que não existe.

Você acorda cedo e sai de casa cedo pois pega dois ônibus para ir pro trabalho pois quer ir em relativo silêncio visto que no trem, onde você levaria somente meia hora para chegar ao trabalho, o silêncio é algo que não existe e você quer um pouco de silêncio em sua vida pois no seu trabalho o telefone toca o tempo todo e em casa você tem vizinhos ouvindo música alta o tempo todo e na frente de casa tem uma porra de um lanterneiro.

E todo o dia a mesma coisa. E todo dia é o Dia da Marmota.

Você já nem aguenta mais ouvir seu nome.

Você tenta certos subterfúgios.

Há uma orla, um boulevard e um museu.

Você os usa para ter um mínimo de silêncio antes de entrar no seu trabalho.

A orla é passagem entre as barcas e o distrito naval. As pessoas passam conversando alto. Valeu a tentativa, mas não dá.

O boulevard deu por um tempo. Mas de uns meses pra cá o pessoal da sua empresa resolveu socializar ali na frente de um dos prédios. Você é sempre avistado e sempre falam com você. É, não rola mais.

Sobrou o museu. O museu tem uma pista em volta. Silenciosa, segura, só o barulho do mar, vento e grilos. Tá, vez ou outra tem alguém falando alto. Pessoas correndo. Mas no geral você relaxa.

Hoje você caminha lá. É um dos raros lugares no Centro onde faz um certo silêncio. Só o som do vento. Das ondas. Dos grilos. Você consegue relaxar uns instantes. A paz inunda seu ser.

Passam duas mulheres conversando em voz alta e esganiçada. Cidadão correndo e gemendo pois aparentemente sente tesão em correr. Porra dum sino tocando loucamente na Nossa Senhora de Montserrat. Helicóptero sobrevoando. Portuário te abordando pra falar de trabalho.


Você sente uma simpatia enorme por D-Fens.

sexta-feira, janeiro 27, 2017

Kitânico Blog 3, o Desafio Final.




Nessa minha última ida ao festival de Takeshi Kitano na Caixa cultural eu revi "Zatoichi" de 2003. Adoro esse filme, tenho o DVD e sou fã do personagem.
 Zatoichi é um dos personagens de ficção mais conhecidos na literatura do Japão e TV. O personagem foi criado pelo escritor Kan Shimozawa e depois foi adaptado para a TV pelo Daiei Studios e originalmente interpretado por Shintaro Katsu.
 Zatoichi aparece como um anma san (massagista) cego que vagueia ganhando a vida realizando suas massagens, acupuntura e jogando dados. No entento, ele é um excelente espadachim do estilo Muraku-Ryu de kenjutsu e iai e também mostra habilidades em Sumo, taijutsu e kyujutsu.
 Ele não carrega uma katana comum, e sim uma shikomizue (espada disfarçada de bengala). Ou seja, ele passa a imagem de um massagista cego completamente indefeso. Isso, pra mim, é genial.
Então, Kitano sempre foi um fã de Chanbara (o nome original dos filmes de samurai) e nada melhor que esse personagem icônico pra fazer uma homenagem. A história é ambientada no período Edo, onde Zatoichi tropeça em uma pequena cidade remota. Dois grupos de yakuza estão lutando pelo poder, abusando de aldeões comuns no processo (lembrando o "Yojimbo" de Kurosawa). Lá ele encontra duas gueixas conspirando vingança contra um desses grupos que matou sua família; um atrapalhado mas bondoso jogador  de dados e sua tia hospitaleira além de um habilidoso ronin tentando salvar sua esposa doente e ao mesmo tempo se provar como samurai. Com um forte senso de justiça e extrema habilidade,  Zatoichi ajuda os aldeões para livrar a cidade de gangsters.
O "Zatoichi" de Kitano não é como um chanbara de Kurosawa. Até mesmo porque não haveria como comparar. Na verdade ele é mais satírico, sarcástico e todo o filme leva o toque de humor de Kitano. O próprio personagem não se parece com o original. Ele é loiro, usa uma bengala vermelha e se veste razoavelmente bem. O original tinha uma estética extremamente simples, e parecia um mendigo cego em vários momentos.
As coreografias estão LINDAS. Uma cena onde o ronin precisa eliminar um chefe Yakuza está SOBERBA. E o Zatoichi (interpretado por Beat Takeshi :p )emprega uma ferocidade e habilidade excepcionais nos golpes.Isso sem falar no sangue jorrando. Era CGI, embora Kitano não curta usar efeitos digitais mas nesse caso ele abriu mão por 2 motivos. O primeiro, para não ficar gore demais. Ele queria sim, sangue, mas sem aquela coisa dele se espalhar pelo chão, sangue escorrendo loucamente e afins. Segundo, ele com seu toque poético quis que o sangue jorrando parecesse com pétalas de sakura ao vento. E conseguiu.
Se tem um remake que recomendo, é esse.

quarta-feira, janeiro 25, 2017

Kitânico Blog 2, a Missão.





監督·ばんざい (Kantoku. Banzai!) ou "Glória ao cineasta!" é um filme autobiográfico de Kitano. É o segundo da trilogia autobiográfica, iniciada com Takeshis e terminada com Aquiles e a Tartaruga. Neste ele usa uma forma meio "Monty Python's The Meaning of Life", com várias esquetes meio com uma certa ligação entre si para contar criativamente sobre como um hiato criativo o está atacando. 
 É um filme bem difícil de descrever, é meio como se Ed Wood e Stanley Kubrick se juntassem numa só pessoa e fizesse um filme. E atuasse. E usasse um boneco de fibra como dublê. A forma como ele narra usa recursos propositalmente toscos de computação gráfica, pessoas agindo como se estivessem em anime e hilárias autocríticas a seu estilo e sua fixação por violência e Yakuza. 
Resumindo: Takeshi Kitano, interpretado por Beat Takeshi (Sim, são personalidades distintas) busca desesperadamente um novo gênero que trará o público de volta aos cinemas, visto que seus filmes nunca foram sucesso de público, tirando Zatoichi. Ele experimenta uma variedade de parcelas que vão desde o Yakuza (que ele desiste por já ter feito vários), romance (que ele desiste por não ter achado graça), o drama de época ( que ele acha melhor não filmar, pois no Japão de sua infância crianças eram espancadas e obrigadas a trabalhar), Chambara ( que ele desiste por não ser novidade e ter filmado Zatoichi), terror (estilo Ringu) e cinema lento de Ozu (Sobre um pintor cego, mas ninguém na produção sabia como seria uma pintura de um cego).  Em seguida entra a história de uma dupla mãe-filha que tentam enganar um homem rico. Beat é seu braço direito, e ele frustra as tentativas das mulheres, salvando a humanidade no processo!

Eu destaco uma cena particularmente engraçada dessa dupla de mãe e filha tentando dar um golpe num restaurante administrado por 2 lutadores de Puroresu. Hilário.