domingo, março 18, 2012

Dionísico Blog

Hoje estava por Jacarepaguá pois minha esposa foi fazer uma prova e, como eu ficaria com MUITO tempo livre, resolvi ir em uma adega que era frequentada pelo meu bisavô materno, avô materno e avô paterno. Eu ia muito lá com meu avô e meu pai, e adorava aquele clima dionísico: Sotaque português constante, cheiro de vinho, barris e mais barris empilhados e sempre música típica portuguesa. Toda vez que eu ia lá meu pai ou meu avô me davam uma provinha do vinho que iam comprar, e não, nem por isso me tornei um alcoólatra. Sim, houve um tempo em que era comum se fazer isso. E a criança crescia acostumada com isso e ao chegar em uma idade em que poderia comprar bebida sozinho, não enchia a cara. Enfim, isso é coisa pra outro texto.
Chegando lá,a encontro deserta, triste, sem música nem ninguém. Uma sombra do que já foi um dia. Fui ao "anexo", um lugar grandioso que tenta parecer um castelo, construído pelos donos da tal adega. Enorme, impessoal, frio e sem vida, que realmente tem uma variedade enorme de vinhos, mas só porcaria barata e sem gosto algum. Coisa pra quem quer encher a cara em churrasco de laje. Em nada se parecia com aquele ambiente alegre e vivo que conquistou gerações da minha família. Dionísio não estava por lá.

É, fica a lembrança. Bons tempos que infelizmente não voltam mais. Não pela adega em si, mas aquele contato entre neto e avô que se tornou impossível pois, citando Neil Gaiman, "A vida é uma doença: sexualmente transmissível e invariavelmente fatal."