quinta-feira, abril 20, 2006

Kaidan, final.

Nove anos se passaram, Carlos se tornou um bem sucedido empresário do ramo da informática.. Ele havia recebido de um amigo em Tokyo a noticia que Sayaka havia se matado na clinica aos 14 anos, tomando uma dose enorme de tranqüilizantes que roubara da enfermaria. Carlos tentou esquecer isso também, e continuou na sua rotina diária, como um cidadão acima de qualquer suspeita. Ele havia se casado, mas em 2 anos o casamento chegou ao fim, pelo fato da esposa querer engravidar e ele ter horror a essa possibilidade. Então ele passou a freqüentar a noite paulistana mais do que nunca, sempre em busca de alguma mulher que pudesse satisfazer seus impulsos naturais, sem compromisso. Todavia, ele não levva o menor jeito com as mulheres, e sempre acabava em algum bordel Até que uma noite, quando foi a uma danceteria nos arredores da Vila Mariana, ele conheceu uma linda nissei, sensual e provocante, e que não parava de olhar para ele...eles conversaram e Carlos a convidou para saírem dali e ela aceitou ir a casa dele. Lá fizeram amor, Carlos não se importava de ser quase 10 anos mais velho do que ela. Ela era sexy e havia aceitado estar ali. Após terem feito amor Carlos disse que iria descer até a cozinha para tomar algo a convidou. A garota parou no topo da escada, Carlos já havia descido dois degraus. – Você não vem? Perguntou, e com espanto reparou em um objeto no chão, perto da escada. Parecia ser um coelho de pelúcia.
- Não vou descer essa escada com você.
Ele parou por um segundo e antes que pudesse perguntar por que ela disse: - Vai que você me empurra como fez com minha irmã. O medo do sobrenatural tomou conta de Carlos e antes que pudesse fazer algo ela o chutou no peito e ele rolou escada abaixo caindo no chão da sala já sem vida.
Na parede da sala a policia encontrou caracteres japoneses escritos com batom vermelho, um dos policiais, descendente de japoneses, traduziu:
AGORA PODEMOS IR EM PAZ.

sábado, abril 15, 2006

Kaidan/Escada

Kaidan
Carlos era um rapaz desempregado que teve uma oportunidade única em sua vida: morar em Tokyo. Ele rapidamente organizou sua vida e logo estava lá. Era uma ótima chance para um jovem de vinte anos. Arrumou um emprego em uma fábrica de doces, fez inúmeras amizades, ingressou na faculdade e freqüentava um templo Shinto onde foi muito bem recebido e era muito bem visto. Todos o tinham como um rapaz honesto, esforçado e de bom caráter. Por ter essas qualidades, uma amiga que ele conhecera no templo pediu que durante alguns dias por algumas horas da tarde ele fosse a casa dela cuidar de suas filhas pois ela não conseguia achar uma babá de confiança. Ele, sempre prestativo, aceitou.
Sua amiga Midori tinha duas filhas: Sayaka de 9 anos e Tomomi de apenas 3.
Carlos nunca imaginara que seria tão difícil controlar aquelas crianças, e mesmo a mais nova era difícil de cuidar. Elas davam muito trabalho a Carlos e, no terceiro dia ele já estava nervoso e estressado. Na tarde de quinta feira enquanto Sayaka e Tomomi brincavam enquanto tomavam banho, no segundo andar da casa, mas a pequena Tomomi não parava de gritar, e isso foi irritando Carlos. Ele perdeu a cabeça e jurou que faria a garotinha se calar de qualquer forma. Subiu as escadas e se escondeu no quarto de Midori. Após as duas meninas terem tomado banho, Sayaka foi para seu quarto e Tomomi parou perto da escada, para pegar seu brinquedo favorito que estava jogado ali, um coelho de pelúcia. Quando Carlos viu Tomomi na beira da escada se aproximou e deu um chute no peito da garotinha, que voou até metade da escada e foi rolando até cair morta no chão da sala. Ele não podia crer no que havia feito. Ele havia deixado sua raiva fazer uma brutalidade dessas, e agora? Ele não pensou duas vezes e colocou a culpa em Sayaka que foi internada em uma clinica para crianças com problemas mentais.

Sayaka foi internada, ninguém acreditava nela nem mesmo sua mãe, tamanho era o ciúme que ela tinha de sua irmã. Sayaka insistia me culpar Carlos mas quanto mais o fazia mais os médicos a achavam louca.
No ano seguinte Carlos decidiu voltar ao Brasil para tentar esquecer tudo e colocar uma pedra sobre seu passado.

Continua...

sábado, abril 08, 2006

Faixa-preta blog

Dia desses estava lendo uma revista de artes marciais uma entrevista com aquele trio enganação chamado KLB. Não me perguntem a razão dos editores da revista terem entrevistado esses pseudo-músicos senão o fato do pai deles ser um dos maiores empresários do país, mas o fato é que eles estão na capa da revista, que não é lá essas coisas, mas é uma das poucas sobre artes marciais no Brasil. Bem, de qualquer forma, lá estava aquela consoante (Não sei se era o K, o L ou o B, mas era o grandão vesgo com cara de doente mental) falando que está perto de conseguir sua tão sonhada faixa preta em taekwondo. Não sei se ele é bom ou ruim, mas creio que, se ele está pra conseguir sua faixa preta, com certeza ele dá pro gasto, mas o que me chamou a atenção foi o fato dele dizer que espera por esse dia há muito tempo. Isso sim me pareceu atitude de inciante, pelo menos ao meu ver. Eu também tinha pressa de conseguir a faixa preta, mas isso nos primeiros 6 meses de treino de karate. Depois disso, percebi que a faixa em si não representa grande coisa. Não que a faixa preta não seja nada, afinal, significa que você aprendeu todos os golpes básicos e está liberado para começar nas técnicas mais avançadas. Diferentemente do que todos pensam, a faixa preta não é o fim, e sim um novo começo. Inclusive, essa sistema de graduação por faixas é recente, começou mais ou menos na época da 2ª Guerra Mundial, criado pelo Dr. Jigoro Kano, fundador do Judo. Depois disso o karate passou a usar, influenciado mesmo por Kano, um dos que ajudou Gichin Funakoshi, considerado o pai do karate moderno, a difundir sua arte em Tokyo. Depois disso, vários sistemas de artes marciais do mundo todo passaram a utilizar este sistema, visto que foi considerado uma forma de incentivo à prática, pois a pessoa percebe que está evoluindo pela cor da faixa. Basicamente nós, ocidentais, somos os maiores fãs desse sistema. Felizmente algumas pessoas, com o passar do tempo, acaba percebendo que a cor da faixa não significa nada, que o importante é o que você assimila. A faixa preta ( termo que não existe na língua japonesa, não pense que vai escutar um japonês falando que é "kuroi obi" ou algo do gênero) nada mais é que um "certificado" de que você aprendeu as formas básicas, mas que não necessariamente sabe usar. Sim, existem faixas pretas que não sabem lutar. Assustado com essa afirmação? Pois é a mais pura verdade. Já conheci faixas pretas que perderiam para muitos faixas vermelhas, que é a terceira graduação do karate. Mesmo que o faixa vermelha fosse muito bom, um faixa preta deveria ser melhor. Eu mesmo, na minha época de faixa verde ( a quinta graduação) já venci muitos faixas pretas. Infelizmente, isso acontece pelo fato de muitas pessoas só levarem 4 anos para chegar ao nível de Shodan ( grau de faixa preta). Eu mesmo levei 15 anos, e mesmo assim acho que poderia ter esperado mais. Mas o pior é a existência de faixas pretas que, independente de serem bons ou ruins na aplicação das técnicas de luta, desconhecem quase toda parte teórica da arte que pratica E isso, infelizmente, é uma maioria. A maioria dos praticantes de karate que eu conheci sequer leu algum dos livros de Funakoshi. Sequer imaginam que o karate nem é japonês e, mesmo assim, ao chegar à Shodan começam a dar aulas. Praticar uma arte marcial, mais o que uma atividade física, é uma atividade cultural. Você está aprendendo a cultura de um país diferente, ou, no caso da capoeira, a História do seu próprio país. Ao conhecer alguém que se diz faixa preta, peça para que esta pessoa lhe contar a história da arte que pratica. Isto pode lhe render um pouco mais de cultura ou algumas risadas.