Pular para o conteúdo principal

Dotô Blog

Há 4 anos virei funcionário público. Como toda boa estatal, lá existem os chamados “Cargos Comissionados”, que não são exatamente uma promoção, e sim um cargo de chefia que a pessoa ocupa, até segunda ordem. A pessoa é, oficialmente, escolhida por ter a capacidade técnica e a prática necessária pra ocupar tal cargo.

Na prática, basta você ter um bom networking pra conseguir um desses cargos, e não precisa nem fazer concurso pra isso. Claro que isso não é com todos, vejam bem, alguns realmente ocupam tal cargo por ter capacidade para isso, mas são raros. Mas existe um fenômeno interessante para quem ocupa tais cargos: O Doutorado Temporário
. Pois é, lembro de que dia desses a atual Drª Phulana era simplesmente a Phulana do Almoxarifado. Mas bastou pegar o cargo que o sufixo “DOUTORA” passou a fazer parte do seu nome. Sem sequer ter feito algo além do Ensino Médio, quem dirá Doutorado!

E esse mal aflige outras profissões! Vão me dizer que faz sentido advogados serem tratados como DOUTOR”? Que faz sentido delegados serem tratados por “DOUTOR”? Eu já acho errado chamarmos médicos de “DOUTOR”, mas vá lá... só não me peçam pra chamar outros jalecos brancos de “DOUTOR”, como os Fisioterapeutas, Psicólogos e Fonoaudiólogos da vida.



Comentários

  1. Entendo muito o que é isso. Uma chatice. Até escrevi uma vez sobre algo parecido num blog que tenho. Se tiver de bobeira, vê lá.

    http://www.comonumaparada.blogspot.com/2010/01/marketing-pessoal_25.html

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Ilusório blog

A Síndrome de "Botinho".

 Existe no litoral carioca, desde os anos 60, um projeto do Corpo de Bombeiros chamado "Projeto Botinho". O projeto visa estimular a prevenção de acidentes marítimos por meio de brincadeiras.
Semana passada um estagiário ( o elo entre humanos e cafeteiras) me contou que ele já fez parte de tal projeto, e como isso gerou nele uma falsa sensação de segurança. Ele narrou que fez parte do projeto por 3 meses, aos 11 anos de idade, e aos 15 foi brincar numa piscina de ondas na Baixada.Foi alertado para não ir para a parte funda pois era muito forte, mas estufou o peito e disse "Coé, eu fui botinho!".

Quase se afogou.

Isso me fez lembrar do Efeito Dunning-Kruger, onde a pessoa possui um conhecimento pequeno, mas acredita saber mais que especialistas.

Eu passei por isso uma vez. Treinava Aikido havia um tempo, e fui fazer umas aulas de Luta Livre. Na hora do sparring, o professor perguntou "Sabe alguma coisa sobre aplicar e defender…

Memento mori.

Ontem, após o almoço, fui ao banco pagar umas contas. Ao virar a esquina, umas faixas amarelas limitavam a passagem e um reflexo prateado não deixavam dúvida: um cadáver coberto por um cobertor térmico, em frente ao banco.
Ao entrar no banco, perguntei à recepcionista se havia sido assalto. Não foi. A pessoa simplesmente caiu morta. Puxaram o cabo do outro lado da Matrix.
Eu cresci acostumado a ver cadáveres na Vigário Geral dos anos 80 e 90. E sempre muito sangue e vísceras. Mas essa morte em si me bateu mais fundo. Não foi um ato de violência, já banalizada. A vida simplesmente cessou numa quinta-feira chuvosa numa esquina movimentada do centro do Rio.

Por uma estranha coincidência, o sistema do banco caiu também naquele momento. Então voltei ao trabalho.

Mais tarde, voltei ao banco. O sentimento sobre a morte do desconhecido bateu mais pesado ainda. Antes haviam dois agentes do Centro Presente e mais uma ambulância do SAMU. Algumas horas depois ainda estavam lá as fitas amarelas …

Coisificado blog

Sabe como é ter realização profissional? Eu não.
Há um certo tempo venho notando que deixei de ser uma pessoa, o Alexandre Santana, e virei o "rapaz do ponto". Sim, eu cuido da frequência no porto do Rio, em especial da Guarda Portuária. É um trabalho. É digno. É honesto. Mas deixei de ser uma pessoa e me tornei um relógio de ponto. Fui coisificado.
Sim. Na maioria dos dias eu mal chego (07:00) e não ouço bom dia e sim um "Ei, o relógio está com defeito!" ou um "Oi, estou com um probleminha aqui no ponto..." e o pior de todos "Olha, vocês me deram falta aqui (sim, eu fui na frequência de um fdp aleatório e taquei falta, claro...)". 
Eu imagino que na maioria dos empregos realmente seja assim e que eu esteja reclamando de barriga cheia. Pode ser. O problema é que não estou lidando com clientes, e sim com pessoas que trabalham na mesma empresa que eu. Com a grande diferença que estou EFETIVAMENTE trabalhando, diferente da grande maioria.
Foda-se, …