domingo, agosto 17, 2014

Nipocarioca Blog




Todo ano, entre Agosto e Setembro, rola no Aterro do Flamengo a Festa do Japão, organizada pelo consulado japonês e entidades culturais e esportivas japonesas da cidade. Eu, pra variar, vou nessa festa como faço desde a primeira edição, visto que é uma das raras oportunidades que tenho pra comer karê.
Costumava participar mais ativamente, seja fazendo yakissoba, vendendo bebidas ou servindo karê, mas agora vou mais pra curtir mesmo, e venho notando a evolução da festa (notem que evolução não significa melhorar, e sim adaptar). Certas coisas não mudaram, como as primorosas apresentações do Rio Nikkei Taiko e da Associação de Kendo do Rio de Janeiro, sempre muito boas, além do delicioso karê.

Porém outras mudaram de uma forma que fazem com que eu me sinta uma espécie de "hipster da Festa do Japão", tipo:


A festa agora fica superlotada. Você mal consegue circular.

Cosplayers. Não vejo o menor sentido em pessoas andando fantasiadas nessa festa.

Pessoas com orelhas de pelúcia (?????)

Gente que só está lá pois é "di grátis", sem fazer ideia do que está acontecendo.

Apresentações bizarras tipo "Desfile de moda Harajuku" (What porra is that?), um tal de パラパラ (ParaParaque, até onde notei, se trata de umas meninas vestidas de Lolita Plus Size do Inferno fazendo a Dança do Autista no palco.

Apresentador paulistano fazendo gracinha.


Na real, eu tenho certeza que eu é que estou me tornando um velho ranzinza. Mas me incomoda ver culturas (em geral, não apenas a japonesa. A nossa, principalmente) sendo reduzidas à modas pop. Eu sempre gostei de me aprofundar em culturas e costumes diferentes, e acho estranho estarmos em uma era onde a informação se tornou algo de tão fácil acesso e as pessoas se contentam com versões diluídas. Enfim, isso é papo pra outro post. O que interessa nesse aqui é a Festa do Japão.

Então, ela ainda é muito boa, a comida é ótima, o atendimento é sempre simpático e as pessoas que lá estão trabalhando em geral nada recebem, o fazem por prazer. Eu sei, pois eu fazia assim. Fora que é sempre ótimo rever amigos, professores e pessoas queridas em geral, além de, é claro, comer karê.


Já mencionei que adoro karê?



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