Pular para o conteúdo principal

Nipocarioca Blog




Todo ano, entre Agosto e Setembro, rola no Aterro do Flamengo a Festa do Japão, organizada pelo consulado japonês e entidades culturais e esportivas japonesas da cidade. Eu, pra variar, vou nessa festa como faço desde a primeira edição, visto que é uma das raras oportunidades que tenho pra comer karê.
Costumava participar mais ativamente, seja fazendo yakissoba, vendendo bebidas ou servindo karê, mas agora vou mais pra curtir mesmo, e venho notando a evolução da festa (notem que evolução não significa melhorar, e sim adaptar). Certas coisas não mudaram, como as primorosas apresentações do Rio Nikkei Taiko e da Associação de Kendo do Rio de Janeiro, sempre muito boas, além do delicioso karê.

Porém outras mudaram de uma forma que fazem com que eu me sinta uma espécie de "hipster da Festa do Japão", tipo:


A festa agora fica superlotada. Você mal consegue circular.

Cosplayers. Não vejo o menor sentido em pessoas andando fantasiadas nessa festa.

Pessoas com orelhas de pelúcia (?????)

Gente que só está lá pois é "di grátis", sem fazer ideia do que está acontecendo.

Apresentações bizarras tipo "Desfile de moda Harajuku" (What porra is that?), um tal de パラパラ (ParaParaque, até onde notei, se trata de umas meninas vestidas de Lolita Plus Size do Inferno fazendo a Dança do Autista no palco.

Apresentador paulistano fazendo gracinha.


Na real, eu tenho certeza que eu é que estou me tornando um velho ranzinza. Mas me incomoda ver culturas (em geral, não apenas a japonesa. A nossa, principalmente) sendo reduzidas à modas pop. Eu sempre gostei de me aprofundar em culturas e costumes diferentes, e acho estranho estarmos em uma era onde a informação se tornou algo de tão fácil acesso e as pessoas se contentam com versões diluídas. Enfim, isso é papo pra outro post. O que interessa nesse aqui é a Festa do Japão.

Então, ela ainda é muito boa, a comida é ótima, o atendimento é sempre simpático e as pessoas que lá estão trabalhando em geral nada recebem, o fazem por prazer. Eu sei, pois eu fazia assim. Fora que é sempre ótimo rever amigos, professores e pessoas queridas em geral, além de, é claro, comer karê.


Já mencionei que adoro karê?



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Coisificado blog

Sabe como é ter realização profissional? Eu não.
Há um certo tempo venho notando que deixei de ser uma pessoa, o Alexandre Santana, e virei o "rapaz do ponto". Sim, eu cuido da frequência no porto do Rio, em especial da Guarda Portuária. É um trabalho. É digno. É honesto. Mas deixei de ser uma pessoa e me tornei um relógio de ponto. Fui coisificado.
Sim. Na maioria dos dias eu mal chego (07:00) e não ouço bom dia e sim um "Ei, o relógio está com defeito!" ou um "Oi, estou com um probleminha aqui no ponto..." e o pior de todos "Olha, vocês me deram falta aqui (sim, eu fui na frequência de um fdp aleatório e taquei falta, claro...)". 
Eu imagino que na maioria dos empregos realmente seja assim e que eu esteja reclamando de barriga cheia. Pode ser. O problema é que não estou lidando com clientes, e sim com pessoas que trabalham na mesma empresa que eu. Com a grande diferença que estou EFETIVAMENTE trabalhando, diferente da grande maioria.
Foda-se, …

Limítrofe Blog.

Você acorda cedo.

Você acorda cedo e sai de casa cedo.

Você acorda cedo e sai de casa cedo pois pega dois ônibus para ir pro trabalho.

Você acorda cedo e sai de casa cedo pois pega dois ônibus para ir pro trabalho pois quer ir em relativo silêncio.

Você acorda cedo e sai de casa cedo pois pega dois ônibus para ir pro trabalho pois quer ir em relativo silêncio visto que no trem, onde você levaria somente meia hora para chegar ao trabalho, o silêncio é algo que não existe.

Você acorda cedo e sai de casa cedo pois pega dois ônibus para ir pro trabalho pois quer ir em relativo silêncio visto que no trem, onde você levaria somente meia hora para chegar ao trabalho, o silêncio é algo que não existe e você quer um pouco de silêncio em sua vida pois no seu trabalho o telefone toca o tempo todo e em casa você tem vizinhos ouvindo música alta o tempo todo e na frente de casa tem uma porra de um lanterneiro.

E todo o dia a mesma coisa. E todo dia é o Dia da Marmota.

Você já nem aguenta mais ouvir seu n…

Suicida blog

Quero morrer.

Não literalmente. Essa eu aguardo sem muita pressa, mas já sabendo que é inevitável.

É mais uma espécie de "morte figurada", por assim dizer. Aos poucos eu venho matando o Alexandre que foi construído ao longo dos anos e que meio que estacionou. Esse Alexandre já não tem mais muito espaço, esse Alexandre só faz merda e só se afunda.

Esse Alexandre trocou sonhos por segurança. Não que segurança seja ruim, pelo contrário, mas esse Alexandre se acomodou. Muito. Esse Alexandre virou uma pífia sombra daquele Alexandre cheio de sonhos, esperanças e "sangue nos olhos". Sei que aquele Alexandre não volta, ou pode voltar cheio de cicatrizes, mas ESSE Alexandre de hoje em dia precisa morrer.